sexta-feira, 2 de maio de 2008

SE EU NÃO TE AMASSE TANTO ASSIM...


Meu coração sem direção
Voando só por voar
Sem saber aonde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas que hoje eu descobri no seu olhar
As estrelas vão me guiar


Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas foi mais
Muito além
Do tempo de um vendaval
Dos desejos num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

(Ivete Sangalo)

domingo, 27 de abril de 2008

CIARA - LIKE A BOY

A música que vou dançar em palco!!!!Rendi-me por completo ao hip-hop!!É lindo quando conseguimos expressar fisicamente uma letra que se sente e que se harmoniza com movimentos e muiiiiiiiiiiiita sensualidade!:)

CHEIROS


Tenho tanto para escrever, para falar, para soltar...a minha necessidade de evasão acumula-se dia após dia sem que o meu corpo se mexa, se sinta, se ressinta. Apenas vou guardando memórias cada vez mais vivas na minha alma, no meu coração. Memórias, recordações, palavras, gestos e promessas...coisas das quais não me consigo desligar nem por escassos momentos, o momento de uma gargalhada é rápidamente cortado com outra gargalhada interior de uma outra coisa qualquer. Sinto-me a viver uma vida que já foi a minha, a reviver e a tentar sobreviver a um presente que pode ser lindo, pode, mas na realidade acaba por não ser, tantos são os fantasmas que o consomem, as realidades passadas que o ocupam, os sentimentos de outrora que o perpetuam.
Às vezes acordo e luto, e quero lutar, e quero olhar para a frente como se o caminho tivesse começado aqui, com o devido amor dentro do meu coração que minuto após minuto se parece alimentar de falsas ilusões, e de esperanças infundadas. Mas depois...e foi o que me levou a escrever este texto agora, neste preciso momento...um cheiro, um simples aroma consegue destronar tudo o que conquistámos ou pensámos conquistar em semanas, meses até. E aí damo-nos conta que a nossa fuga não passa disso mesmo, de uma fuga, é também um processo, mas não é um processo que nos permita ganhar forças, amadurecer e acima de tudo ultrapassar de forma o mais possível positiva e sorridente o que tantas lágrimas já nos fez derramar. Damos conta que afinal estamos na estaca zero e que a casa continua por construir, aquela pequenina casa onde vamos guardar o sentimento para todo o sempre, sabemos onde ele está e como tal escusamos de andar sempre a revivê-lo, a procurá-lo e talvez a encontrar dentro da nossa organização, momentos desarrumados, dos quais ainda não fizemos o verdadeiro luto. Aquele que nos permite viver em paz.
Começar a construção demora, custa...e não se quer, não se quer...talvez o cheiro seja mais forte do que aquilo que um dia pudemos sequer imaginar.
Olhei para o frasco, não era de perfume...e ainda pensei em ignorar o pedido feito em voz alta no meu coração, mas não consegui. Abri a tampa, olhei, deitei todo o ar fora que tinha dentro dos meus pulmões e inspirei de olhos bem cerrados...que maravilha...vozes, risos e sorrisos, palavras, dias, calor, cansaço, fome, um beijo, um banho...uma série de imagens passaram a mil mesmo diante de mim, imagens da minha vida e de cada vez que aproximava o nariz a história continuava e se não me tivesse olhado ao espelho e ter tido pena de mim mesma, teria certamente ficado ali o resto da noite.
Acho que tão depressa não me esquecerei da cara que vi reflectida no espelho, uma cara que não era a minha, uma expressão que eu já não me lembro de fazer, de ter, um sorriso, um sorriso que só consigo descrever como estúpido e que lentamente me levou a um choro silencioso, ainda que compulsivo, só de pensar no estado a que as pessoas chegam.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CAMALEÓNICA??











Vai uma votação?:) Não consigo ficar muito tempo igual, cansa-me, entedia-me...e cometo pequenas loucuras que também me satisfazem por pouco tempo, aliás como tudo na vida. Acho que o meu aspecto é o lado mais visível da minha impaciência com a vida. Como ela não muda, ou parece não querer mudar, mudo eu!!Mas só por fora...Ao olhar estas fotos, vejo uma pessoa diferente em todas elas...não, não tenho várias personalidades...estranho, mas vai-se entranhando até acordar com uma nova ideia, que entretanto não sei se é bom, ou se é mau, tenho coragem de colocar sempre em prática!Qual será o meu novo look, neste momento, nenhum dos que aqui estão... Qual virá por aí?Hummm...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

LIFE...QUERO


Quero deixar de procurar incessantemente por respostas que justifiquem a minha vida e os acontecimentos que a têm preenchido, tanto os bons, como os maus.
Quero deixar de fazer eternas retrospectivas ao meu mais intimo, ao meu passado na tentativa desenfreada de arranjar uma culpa minha, a minha falha, onde residiu o meu erro que originou danos tão grandes.
Quero entender de uma vez por todas a frase que ouço constantemente "segue com a tua vida para a frente", não só quero entendê-la como quero colocá-la em prática.
Quero deixar para trás os fantasmas que um dia me atormentaram e atormentaram quem um dia me amou e discernir que o passado é passado e nele não posso tocar, e que o presente é para ser vivido.
Quero sentir-me livre mas em paz, e não sentir a necessidade de justificar todos os meus actos, que entretanto têm sempre compreensões distintas, ambíguas e regra geral nada têm a ver com a realidade.
Quero deixar de sentir necessidade de provar quem sou, e o que sinto, e por quem.
Quero esquecer que as opiniões alheias existem, e aprender a lidar com elas com a indiferença que lhes é merecida.
Quero viver de cabeça erguida, sem medo de assumir os meus erros, mas também com a leveza de saber viver com eles, e de acima de tudo desdramatizá-los.
Quero-me sentir orgulhosa por mim e pela sinceridade que sempre tentei imprimir à minha vida independentemente das consequências da verdade.
Quero muito, mas mesmo muito parar de sofrer de uma vez por todas por tanta especulação, por não perceber o que se calhar não é para perceber e não tem justificação que se resuma a uma linha linear e clara.
Quero acreditar que a vida continua e que a felicidade pode estar à espreita ainda em qualquer outro lugar.
Quero deixar de ter pena, pena de nós, pena de mim, pena do que poderia ter sido, do que poderia estar a ser...estou cansada de pensar que tudo isto é uma pena e que só acontece por minha culpa...porque não fiz isto, porque não disse aquilo, porque não abdiquei de não sei o quê,porque não fui demasiado persistente...
Tantos "tantos", tantos porquês, tantas culpas, tantas indecisões, tantos "se", tantos "e agora?", tantos "como?"...
E eu? Onde é que eu estou? Onde é que eu fico? Serei eu uma pessoa tão miserável, que de resto é o que me ocorre mesmo, que mereça tamanha auto-culpabilização?
Serei culpada do meu fracasso, ainda que tenha sido uma bola de neve de acontecimentos que me levou a ele literalmente, a qual eu por amor não fui capaz de travar? Ou será apenas o destino e as coisas acontecem porque têm de acontecer?
Algo termina, para algo começar?
Quero salvar-me e preciso muito de mim.
Rita onde estás tu. Encontra-te. Encontro-me. E vou ficar por aí, comigo.

domingo, 13 de abril de 2008

CONTINUAÇÃO BOOK (3)


....tinha delineado, e não pretendia ser de outra forma. Estar com aquelas crianças, dar-lhes o seu melhor, o seu amor e sua alegria, que às vezes só sabe Deus onde a vamos arranjar, realizava-a enquanto pessoa, enquanto ser humano.
E naquele dia que sorria lá fora decidiu levar as crianças para o jardim, para apanharem sol, sentirem a brisa e os cheiros da natureza. Tinha preparado uma aula diferente, como sempre foram.
Sabia que a única maneira de os manter sossegados, ou pelo menos mais quietinhos era cativá-los com algo que não conhecessem, ainda que pudessem não perceber ela sabia que iriam ficar a pensar e iriam criar as suas próprias histórias, imprimir as suas fantasias a personagens que achassem caricatas…Depois de os reunir em circulo, todos sentados…
-Hoje vou-vos contar uma história! Boa! Mas aviso-vos já que não é uma história qualquer…é uma lenda! Alguém sabe o que é uma lenda? Levantem os bracinhos!
-É uma história mentira!
-É uma história que se conta às crianças para elas terem medo e para comermos tudo!
-O meu pai de cada vez que a minha mãe me obriga a comer a sopa fala-me do papão. Acho que a lenda é o papão!
-Não é nada! A lenda é pessoas velhas que contavam histórias velhas!
-Bem estou a ver que vocês andam muito informados! E mal! Então agora quero que prestem muita atenção e ficarão a perceber o significado de “lenda”! Sim? Preparados?
Vamos a isso…
Era uma vez uma pequena pastora. Certo dia enquanto andava com os seus animais a passear pelos campos descobre uma gruta e dentro dessa pequena gruta, qual não é o seu espanto quando encontra uma estátua de Nossa Senhora. Mal se aproximou dela, achou-a muito bonita e depressa a agarrou, e esta passou a ser o seu brinquedo e a sua companhia favorita.
Um dia, a mãe estava já farta de a ver brincar com o que parecia ser uma boneca que, numa discussão, agarrou-a e atirou-a para dentro da lareira. A menina ao ver isto, em pânico, correu de imediato atrás da estátua conseguindo tirá-la das chamas. Por incrível que pareça, mesmo com as chamas, a estátua ficou intacta, não estava nada queimada, nem partida, parecia que nem tinha sido atirada para uma lareira! Só podia ser milagre, e um milagre que rapidamente se espalhou por toda a aldeia, todas as pessoas falavam da estátua que tinha sobrevivido intacta às chamas do fogo, acreditavam mesmo que poderiam estar diante de um milagre e foi então que decidiram colocar a estátua da Senhora numa Igreja decente, e assim foi. Mas algo muito estranho aconteceu… A estátua pouco tempo depois desapareceu, sem ninguém perceber como e porquê. Depois de muito a procurarem encontraram-na onde?
-Foi a menina! Foi ela!
-Não, calma…ouçam…
Encontraram-na na gruta onde a pastorinha a vira inicialmente.
Depois de mais algumas tentativas, de tentarem colocar a estátua em locais mais bonitos, onde todos a pudessem ver, descobriram que a estátua parecia ser milagrosa e desaparecia sempre, aparecendo de novo na gruta. A estátua não parecia querer mudar de casa e foi aí que se lembraram de construir uma nova capela, desta vez no sítio que a estátua tanto parecia gostar.
Desde aí, a estátua não desapareceu mais e ainda hoje o penedo encontra-se intacto dentro das paredes da Igreja.
À volta desse penedo surge depois uma nova lenda, era um penedo grande mas que escondia uma passagem estreitinha, daquelas passagens em que parece que nunca cabemos, o estranho é que todos a conseguem passar por mais gordos que sejam, por mais barrigas gigantes que tenham.
Por não se entender muito bem o porquê de até os mais gordos conseguirem passar num sítio tão estreito, o povo diz que todas as pessoas de boazinhas, que fazem o bem aos outros conseguem passar, independentemente de serem gordas ou magras; só não passam os pecadores.
-Outra curiosidade, sabiam que na sacristia existe um réptil embalsamado? Conhecido como o Sardão da Lapa, algo estranho para se guardar numa Igreja. Ou não! Diz uma nova lenda que um homem, possivelmente na Índia, teve um encontro furtivo com aquele feroz animal. Em pânico, gritou pela Nossa Senhora e esta salvou-o, e como recompensa, como forma de agradecimento por a Nossa senhora o ter acudido, ele resolveu embalsamar o animal e trazê-lo até ao Santuário em Portugal, como prova do seu profundo agradecimento.
-E que tal gostaram? Ficaram a perceber o que é uma lenda?
-Sim! Sim! Conta mais!
-E era um crocodilo daqueles grandes e maus?
As questões não cessavam…Ficaram muito excitados com a história, queriam saber mais, havia aqueles mais desconfiados que remodelavam a história em três tempos de forma enigmática como se estivessem a resolver um crime…a mente das crianças voa, não tem medo de cair…Estava a ficar escuro, frio e era altura do lanche e embora ela mantivesse sempre um sorriso nos lábios e uma ternura incansável estava se ser...



Continua...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

GUILLERMO VARGAS HABACUC









Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtissima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede. Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario.
Parece forte?Pois isso nao é tudo: A prestigiosa Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que a selvageria que acabava de ser cometida por tal sujeito era arte, e deste modo tão incompreensivel Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008. Facto que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição :

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CONTINUAÇÃO BOOK (2)


Com um movimento brusco, atira-lhe o telefone e percebe-se que do outro lado ainda está alguém a falar…não sabe o que há-de fazer…
-Não posso agir por si, isso eu não posso fazer. Não posso nem quero decidir por si… Estudei psicologia, é verdade, mas isso não me dá o direito ou as capacidades para actuar como Deus, decidindo acerca de questões tão pessoais e íntimas como esta. Aliás, eu utilizei uma péssima comparação porque, no fundo, eu acho que se existisse algum Deus ele não permitiria que o mundo fosse assim.
-Deus… Acha que Deus deve ser responsabilizado pelos nossos erros? Podemos acender um fósforo e acusar Deus de não ter feito chover naquele momento exacto? Tratamo-lo sempre como se de um escravo se tratasse, alguém que existe para satisfazer os nossos desejos a troco de uma oração memorizada ou de uma vela acesa.
Depois de uma ligeira pausa, voltou a baixar o tom de voz.
-Não divaguemos mais. Vá falar com os seus sogros, é o meu conselho, não adie o inadiável, vai ver que se sentirá melhor e pense na Madalena, mais do que nunca precisa dos avós.
A Sara está nervosa, está a decidir com a cabeça quente. Além disso, eu sou a pessoa menos indicada para fazer isso.
-Não estou em condições para conduzir, não vê!
-Se decidir ir, eu própria a levo.
Apesar de resistente, acedeu ao pedido, ela apenas estava a evitar sofrer mais, chorar mais, mas o sofrimento era inevitável, e mais valia sofrê-lo agora. Chegaram. Depois das apresentações reuniram-se na sala, a psicóloga achou por bem ir brincar com a Madalena, quando o pai diz:
-Chegou hoje um envelope endereçado a nós, mas é para ti…não sabemos o que é, mas não nos pareceu correcto sermos nós a abri-lo, de qualquer das formas parece óbvio que ele queria que o abrisses connosco…
Ela concorda, fica hesitante, com muito medo de ler o que quer que fosse vindo dele…

O envelope começa, finalmente, a ser aberto. Lá dentro estava uma folha rasgada, ainda mais maltratada que o envelope, e preenchida com uma série de traços e riscos que só a muito custo podiam ser identificados com letras. Respirando fundo uma última vez…
-Começa assim:


“Sara e Madalena, neste momento apenas me resta pedir perdão. Não fui capaz de vos salvar, pelo que este era o único caminho a seguir.
Espero que não encarem o meu acto como um mero suicídio irreflectido, mas antes como um acto de libertação e expurgação. Espero também que ele não suscite quaisquer sentimentos de culpa pois, a existirem, esses são da inteira responsabilidade do destino. Estamos em 1996 e o destino já é o culpado.”

-Podem-me explicar que data é esta?
-Isto não pode ser para mim! Que brincadeira de mau gosto é esta?
-Continua a ler…só assim vamos perceber…
-Mas não percebem que só o conheci em 2005?
-Mais uma razão para leres…
-O que me estão a esconder?
-Lê, por favor…


18 de Novembro de 2005
O dia estava como há muito não aparecia, o sol apesar de fraco, brilhava no céu, e as nuvens negras que até aqui assombravam a cidade estavam cinzentas, quase que prometiam desaparecer. As crianças naquele dia estavam particularmente irrequietas, devia ser do sol, há tanto escondido, ela própria estava a ser invadida por uma sensação de alegria e vivacidade únicas…o tempo sombrio faz-nos inevitavelmente mais tristes…e aquelas crianças precisavam de felicidade, de alegria, de momentos de sorrisos e gargalhadas soltas, como todas as crianças precisam. Precisam de amor, não esperavam dela uma mãe, que dá ordens, que discute, que às vezes não tem paciência, que chega a casa cansada do trabalho, que a única coisa que anseia é esticar-se na cama e não ouvir um único som, apenas o do silêncio, aquele que não obteve desde o momento em que acordou. Não esperavam isso dela, esperavam precisamente o oposto, esperavam alguém que ali estivesse a tempo inteiro, alguém sem vida própria a não ser aquela, disposta a espalhar cor e alegria em tudo o que faz, em cada criança que toca, alguém que sabe passar a mão na cabeça, perdoar as travessuras e ter paciência infinita para aqueles pequenos diabretes. E era isso que ela era, não era apenas uma mulher, não era somente uma educadora de infância, ela era mãe, irmã, amiga, avó…todas aquelas pessoas imprescindíveis ao nosso crescimento, à nossa maturação, que assistem aos percalços das nossas vidas não de braços cruzados mas com uma voz activa sempre disposta a salvar-nos, a dar-nos a mão, mesmo que sejamos os mais culpados deste mundo. Era ela. Era essa a vida dela, já há muito a...


Continua...
Nota: Eu sei que a imagem nada tem a ver com o texto, mas eu não consigo não colocar imagem, é mais forte do que eu!!!:) Parece que o texto fica despido e feio e então coloco minhas, assim nada tem a ver com nada!! Porque também não gosto de colocar uma imagem que não tenha a ver com o texto havendo! Ora, se não há, e se eu não consigo deixar de colocar foto, ponho uma minha. Fiz-me entender? Creio que estou com alguns pequenos grandes problemas de expressão, o que me assusta solenemente e creio também que estou a justificar o que não interessa a ninguém saber, o que também não me parece normal, mas...

domingo, 6 de abril de 2008

BOOK (1)


28 de Março 2007

-Preciso de ajuda! Por favor, preciso de ajuda…
-Mantenha-se calma. A ambulância já vai a caminho.
-Mas ele… Ele não se mexe nem respira. Eu acho que ele não está a respirar… Ele precisa de ajuda, rápido! Rápido!
-Tenha calma, por favor. Não vou conseguir ajudá-la se não se mantiver controlada. Tente explicar-me melhor o que aconteceu, tente…
-Eu não sei! Ele está… Não sei, ele está deitado! Ele está deitado e… e… Venham rápido, por favor, eu não sei o que fazer. Oh, meu Deus…
-A ambulância deve estar mesmo a chegar. Confirme-me novamente a morada, por favor.
-Oh meu Deus, ele não está mesmo a respirar… Oh, meu Deus… O que é que eu faço? Ajudem-me, tem de me ajudar, rápido…
-Está? Está?
-(silêncio)
-Está? Por favor, não desligue o telefone! Fale comigo! Através do pulso consegue sentir os batimentos cardíacos?
-Venham rápido! Eu… Eu não percebo. Porquê? Porquê?
-O que se passa? Aconteceu mais alguma coisa? Não deixe de comunicar comigo! Está? Ainda aí está?
As horas seguintes foram de uma lentidão atordoante. Os ponteiros do relógio mantinham-se inflexíveis, na sua rotação incessante, mas tudo o resto parecia mover-se de uma forma extremamente morosa. As sirenes, as paredes brancas do hospital, o desolador regresso a casa.
Tal como acontece no cinema, as imagens não pedem permissão para se sobrepor uma a seguir à outra, mesmo que estejamos a odiar o argumento ou nos apetece mudar completamente a história. Essa história, para o bem e para o mal, está escrita e delineada, e já ninguém a conseguirá mudar. E o facto de fecharmos os olhos de pouco servirá. Os olhos fecham mas as imagens continuarão, ficando o som encarregue de nos lembrar desse pormenor.
É nestas alturas da vida que o mundo parece mais simples e, ao mesmo tempo, nada parece fazer sentido. É provavelmente o único momento em que todos deixam cair a máscara, os trajes e a ambição. Frio e desolado como um pedregulho, o coração deixa de ter utilidade a não ser bombear o sangue, e mesmo para essa tarefa, o esforço agora requerido é quase sobre-humano.
Depois de bater duas vezes à porta, esta é finalmente aberta por um fantasma.
-Olá, eu sou psicóloga do departamento médico do Hospital S. Teotónio (da PSP). Desde já, gostaria de apresentar os meus sentidos pêsames. (silêncio) Embora isso nem sempre aconteça, neste tipo de situações gostamos de visitar os familiares mais próximos, dando, tanto quanto possível, o nosso apoio e compreensão. É verdade que nem sempre somos acolhidos com a maior receptividade mas… Como está a reagir, Sara?
A pergunta não suscitou qualquer reacção.
-Posso entrar?
Os seus olhos, embora continuassem vazios, levantam-se ligeiramente.
-Claro. Desculpe o meu estado.
-Obrigado. Eu sei o que está a passar e certamente não é nada fácil. Aliás, o caminho que agora vai ter de percorrer é penoso, longo e doloroso, mas nem por isso devemos baixar os braços e desistir. Não tenho razão? Ainda para mais eu sei que tem uma menina linda, que nasceu há pouco tempo.
-É verdade.
-Como está ela?
-Como posso saber? Só tem dois meses, provavelmente nem deu conta de nada.
-Posso vê-la?
- Ela está a dormir lá em cima.
-Acontece, por vezes, que desviamos a atenção daquilo que nos é mais importante. E isso é compreensível, tendo em conta o nível de stress e fadiga psicológico pelo qual as pessoas passam. Tem algum familiar que possa ficar consigo estes dias?
-Não.
-E acharia benéfico ter algum acompanhamento ou alguma ajuda para tomar conta do bebé?
-O quê? Nunca precisei nem vou precisar de ajuda. Está a insinuar que não sou capaz de cuidar da Madalena? Mas estarão todos doidos?
-Desculpe, se calhar expressei-me mal…
-Não tentem retirar o pouco que me resta!
-Ninguém insinuou isso e, por favor, tente compreender o meu papel. Estou aqui apenas para tentar ajudar, nada mais. E, por mais insuficiente que isso possa parecer, boa parte da ajuda que tenho para oferecer resume-se a um ombro amigo, um pouco de conversa pelo qual pode desabafar e eu vou percebendo quais são os maiores problemas. Milagres, ninguém os fará, mas conversando um pouco talvez consigamos trazer alguma paz.
-Quer ajudar-me? Quer trazer-me alguma paz? Diga aos meus sogros que quero ficar sozinha, e que agora não vou lá a casa...
Continua...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

THE NICEST THING

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.
I wish I was your favourite girl,
I wish you thought
I was the reason you are in the world.
I wish I was your favourite smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.
I wish you couldn't figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you'd hold my hand when I was upset,
I wish you'd never forget the look on my face when we first met.
I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three.
I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.
All i know is that you're the nicest thing I've ever seen;
I wish that we could see if we could be something
Kate Nash

terça-feira, 1 de abril de 2008

PORTO




Duas cidades tão próximas, duas realidades tão diferentes. Porto, uma cidade com alma e espírito gigantes, que alimenta vivamente todas aquelas pessoas tão diferentes, tão iguais que deambulam frenéticamente pelas ruas da cidade, imprimindo um dinamismo e uma cor que altera as tonalidades acinzentadas que contornam cada recanto de cada esquina que viramos.
Em cada esquina encontra-se uma cor, uma alma, um sorriso e uma voz alta e firme. Gente com garra e sangue nas guelrras, que não tem sangue de barata, e que bate o pé com aquela melodia linda sem olhar a quem.
Os olhares não se trocam, confrontam-se e dispersam-se com a mesma intensidade com que se encontraram.
As gargalhadas altas não ecoam, são tão somente absorvidas por outras gargalhadas e por pessoas que tentam vender o seu "peixe" em pequenas ruelas com tralhas e tralhinhas absolutamente deliciosas, com quem se troca uma palavra e eventualmente uma conversa para uma tarde inteira.
Uma cidade que nos preenche, que nos acolhe e que nos ama como realmente somos, onde o gorro não é sinónimo de doença ou toxicodependência, óculos gigantes não são sinónimo de alguém que tenta esconder as olheiras que a noite passada provocaram, que sapatilhas não são sinónimo de desleixe mas sim de conforto e estilo próprio, em que usar pirecings não é sinónimo de irresponsabilidade, e em que um meter de conversa não é um sinónimo de um convite a algo mais.
Também no Porto tudo isto deve existir...mas a minha experiência, esta experiência foi absolutamente sorridente, pela serenidade que me imprimiu, pela certeza, confirmação de que existem pessoas que correm pela vida e na vida pelos seus sonhos sem olharem a impossibilidades, sorrisos que escondem desgraças que pelo menos por instantes são relegadas para segundo plano, porque a vida é para ser vivida com as forças que temos, com a dignidade que temos, com toda a alegria que temos. Porque a felicidade, essa está nos pequenos pormenores, naqueles que nem nos apercebemos, mas se no final do dia, o espremermos são essas coisas que ficam no pensamento.
Venha mais PORTO CARAGO!!!

sábado, 22 de março de 2008

O QUE É ISTO??












Sinceramente custa-me a crer que alguém possa encontrar beleza nestes adornos e acessórios que mais parecem máscaras assustadoras de quem não se consegue ver ao espelho tal e qual como é. Questiono-me vezes sem conta de onde vem a necessidade de ser diferente, e só a uma conclusão chego, são simplesmente pessoas que não conseguem ficar satisfeitas com a normalidade, a sua e a dos outros.
Cada vez mais se tenta chocar...chamar a atenção, sentir-se comentado e até criticado, não importa, passar despercebido é que é impensável. Não será isto fruto de uma enorme carência afectiva, de um grande desiquilibrio emocional, de uma falta de auto-estima e amor-próprio atroz, de uma despersonalização...
Eu sei que ninguém gosta de medicamentos, de admitir que precisa de acompanhamento psiquiátrico... mas... Chamem-me conservadora, mas isto ultrapassa todos os limites estéticos possíveis e imaginários.

sexta-feira, 21 de março de 2008

AFINAL HÁ TANTAS DIRECÇÕES


Houve uma vez uma pessoa que, ao ver-me de olhos inertes a olhar o horizonte, me disse que quando se começa a prever uma tempestade mais vale abrigarmo-nos até que esta passasse. Pois lutar contra a tempestade, seria uma luta inglória.
Guardar as forças para lutas em que a possibilidade de ganhar se avista, é mais louvável. Lutar contra o mais forte, o inevitável, não era dignidade mas sim burrice.
É tão verdade quanto difícil de colocar em prática. A atitude é a de sobrevivência, mas a minha sobrevivência pode passar eventualmente apenas pelo vislumbre de vários destinos possíveis, e então quando o céu estiver menos cinzento seguir um rumo.
Afinal há tantas direcções!

A CIDADE DOS ANJOS


Andava a ver imagens, não procurava nenhuma em especial...encontrei esta...e parei, parei e revi o filme mentalmente minuto a minuto. E cheguei a uma conclusão, a óbvia do filme, mas vi para além desse óbvio, para além de um romance, para além de um amor impossível. Simplesmente vi...
Vi que na vida há momentos de desencontro total, pleno entre duas pessoas, entre o amor. Momentos que estranhamos pelas diferentes necessidades que de um momento para o outro nos surgem e achamos não poder conciliar com o amor. O amor é tão mais do que uma fase, é tão mais do que uma necessidade.
No amor e na vida, o que mais me entristece são os momentos em que mesmo que quisessemos alterar não tinhamos nada a fazer, não dependem de nós. Há realmente coisas que não estão nas nossas mãos, que não dependem de nós, eventualmente podemos ajudar, contribuir...não são imprevistos, os imprevistos são bastante previsíveis, por vezes nós é que não os queremos ver...são simplesmente mundos diferentes, paralelos que não têm como se colar, como se fundir.
Ele largou tudo por um amor, mudou a sua condição de vida e tudo o que a ela lhe estava inerente, ele lutou.
Foram felizes, estavam felizes.
Ela morreu, adoptou a condição de vida dele.
Ambos quiseram certamente voltar atrás no tempo, mas voltar atrás no tempo é impossível.
Ela quis morrer?
A decisão dele foi fácil?
Foi por falta de amor que se separaram?
O amor é tudo? É.
O destino é mais do que tudo? Definitivamente.

domingo, 16 de março de 2008

O NOSSO CONTO DE FADAS


Há muito, muito tempo, existia um reino mágico, repleto de castelos e de casas pequeninas; de campos verdes e florestas sombrias; de príncipes encantados e terríveis vilões... No final desse reino erguia-se um enorme precipício. Contavam-se muitas histórias assustadoras acerca desse precipício, e nem mesmo os dragões se atreviam a aproximar. Só um pequeno menino costumava lá ir, sentando-se numa daquelas rochas frias e ficando a observar o horizonte.
Certo dia, o menino decide levantar-se e dar um passeio. O céu estava muito escuro e a chuva não parava de cair, mas havia algo que o obrigava a continuar, o obrigava a percorrer um caminho até então desconhecido. Ele andou horas a fio, ora caíndo nas poças de água, ora fugindo delas...até que, de repente, algo despertou a sua atenção, um brilho intenso saía por entre as silvas! Num misto de espanto e de medo, ele foi-se aproximando com todo o cuidado, até perceber finalmente o que era: uma pequena caixinha, ainda fechada, e contendo as iniciais do rei. O que faria aquilo ali? - pensou ele.
Será que era um pedaço de lixo que o rei tinha simplesmente deitado fora? Ou talvez ele a tivesse perdido sem querer?!?
Não resistindo mais à tentação, pôs de lado todas as interrogações e decidiu abrir a caixa. O que viu deixou-o perplexo: a mais linda borboleta alguma vez vista, tão colorida como qualquer arco-íris.
Nesse mesmo instante, e como que por magia, o sol irrompeu por entre as nuvens, de tal forma que nem a chuva se atreveu mais a cair.
Desde aquele momento, tudo mudou na sua vida.
O menino passava horas e horas somente a observar a borboleta. Dedicava-lhe toda a sua atenção, sonhava com ela, contava-lhe os seus segredos... Tudo parecia perfeito, lindo, e mesmo quando tinha algum problema, bastava olhar para o sorriso da borboleta para que tudo melhorasse.
Aos poucos, porém, ele começou a compreender que não era justo da sua parte manter a borboleta fechada naquela caixa durante mais tempo. É verdade que a borboleta parecia estar tão feliz quanto ele, mas será que era mesmo assim? Ou será que voava para bem longe, quem sabe até se não mesmo para junto do rei novamente?
Foi então que o menino chegou a uma conclusão: a única coisa realmente importante era a felicidade da borboleta. Se ela fosse feliz, ele também seria feliz. E se essa felicidade implicasse perdê-la para sempre, então assim fosse.
Num gesto decidido, olhou uma vez mais para o sorriso da borboleta, e abriu a caixa...


Foste tu que escreveste, foi de ti para mim, e agora é de mim para
ti...

terça-feira, 11 de março de 2008

LEMBRO-ME DE TANTA COISA!


A propósito de um exercicício de saudosismo que li no blog de uma amiga (www.pechisbeque.blogspot.com) apeteceu-me de repente fazer o meu próprio exercício. Olhei para trás e vi este cenário:
07h00-toca o despertador, o qual desligo sem a menor preocupação, só penso em continuar quentinha a dormir;
07h30-começo a ouvir um outro despertador: os meus pais, gritos e vozes irritadas de um lado para o outro enquanto dizem: "Não posso chegar tarde ao emprego!!!Se não te despachas ficas em casa!" (quantas vezes...);
07h45-banho...bom...mas a cama estava bem melhor;
08h00-pequeno almoço, ou melhor, leite, o pão comia-o no carro;
08h30-toque de entrada, e a Rita (pareço um jogador de futebol...)lá ía não em direcção à sala, até porque até ao final do ano nunca soube o meu horário, muito menos as salas...mas sim em direcção às arcadas para fumar o meu cigarro matinal...;
08h40-já estou a abusar da sorte, é melhor ir indo...as arcadas estão vazias, geladas...vou para a sala;
08h45-cheguei, os olhares são sempre os mesmos,o hábito já não espanta e o próprio professor não liga. Torce o nariz, solta uma palavra menos agradável, mas nada que a descomunal soneira não apague em segundos da memória;
AULA-toca a pôr a conversa em dia, em comentar o(a) colega do lado...corriamos todos, até chegar ao professor e acabar em nós mesmas, pelo menos desde cedo aprendi a rir de mim!!
A seguir-ginática=café, cigarros e fofoquices...
ALMOÇO-batastas fritas a correr, lá ía eu e mais mil como eu pelo parque da cidade até à casa da minha avó, na sé da cidade...com um bocadinho de sorte o tal rapaz até ía para os mesmos lados, e se não fosse, iamos nós!!
TARDE-quase sempre livre, apartamento estranho, musica, cigarros, comida, roupa, rapazes, rapazes, rapazes... já mencionei rapazes?
Não? Rapazes...e...e...muita noite!! Combinada com uma semana de antecedência!
NOITE-telefone sempre ocupado,coitado daquele que tinha alguma urgência em falar com alguém cá de casa...telefono para uma, telefono para a outra, enquanto a primeira está a falar com outra qualquer..."Mas há assim tanto para falar?Não estiveram o dia todo juntas?" a voz consciente dos pais que teimavam em falar em contas telefónicas, algo que nem no nosso imaginário existia;
No dia seguinte normalmente estavamos vestidas com as roupas de uma, as nossas roupas noutra...e o dia nunca era igual...lembro-me dos feriados que passavamos no quarto de banho a fumar, com vergonha de o fazer nas arcadas...lembro-me dos paniques de chocolate bem quentinhos que queimavam a lingua mas que apesar das filas infernais, bastava eu aparecer para a Dona...(já não me lembro) me esticar o braço com o dito panique, atitude que provocava alvoroço, mas o panique já estava na minha boquinha!...lembro-me dos boicotes que faziamos aos professores, lembro-me de ir para a rua, lembro-me de reprovar por faltas e na semana seguinte já poder dar as mesmas, lembro-me de tirar 5 negativas no segundo periodo do meu 8.ºAno e de apenas por pirraça ao meu pai não tirar nenhuma no terceiro (a psicologia dele funcionou!), lembro-me de sair mais cedo das aula para ir ter com meu namorado à Escola Comercial...lembro-me de jogar às cartas nos testes de matemática, lembro-me se sair da sala pela janela, lembro-me de me cantarem uma serenata durante uma aula de ciências, lembro-me de me cantarem os Parabéns na rádio da escola, lembro-me de ser a maninha do melhor guitarrista de Viseu e de andar com os rapazes mais velhos e mais giros...lembro-me de levar um teste feito e após conseguir heroicamente trocar as folhas de teste, dar conta de que não era o mesmo, ou pelo menos não totalmente, daí ter passado a hora toda a riscar o que não interessava (era muito!), lembro-me de me sentar com os pés na cadeira "É assim que te sentas em casa?" "É", lembro-me de estar de mãos dadas com um amiguinho em todas as aulas de Geografia, lembro-me de chorar e de sentir o abraço forte de um namorado, amigo,que morreu mais tarde naquela estúpida mota em que eu sempre me recusei a andar...lembro-me de tanta coisa!!

sábado, 8 de março de 2008

QUEM ME DERA QUE EU FOSSE O PÓ DA ESTRADA


Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...


Alberto Caeiro

terça-feira, 4 de março de 2008

FOTOS...

Fotos que se encontram por acaso e que relembram momentos já quase esquecidos!Estava muito feliz neste dia. É impressionante como as fotografias marcam e estancam dias, horas, segundos, enfim...nesta vida tudo é tão assustadoramente fugaz, que acho que vale a pena ver e rever o que já passou.

domingo, 2 de março de 2008

ADORMECER


Quando não apetece ir para a cama dormir, porque não se quer dormir, simplesmente não se quer encarar que o dia acabou assim. Estamos sempre à espera de qualquer coisa que valha a pena ir pensar na almofada, com a qual possamos sonhar e aumentar pequenos detalhes e absolutamente deliciosos que podem surgir no dia seguinte.
Não há motivos para adormecer...pareço um bébé que só na exaustão, só no limite se deixa cair e adormece que nem um anjo. Apenas com uma diferença, o bébé geralmente não quer adormecer por estar a adorar o momento...eu não quero adormecer porque nem me quero acreditar que o final do dia seja novamente este, e a estúpida esperança deixa-me acordada.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

"A INVISIBILIDADE DAS PEQUENAS PERCEPÇÕES"


Há determinados sítios onde me sinto verdadeiramente em casa, onde sinto a minha família mesmo que não se troque uma palavra, mesmo que esteja ali apenas por estar, mesmo que esteja sentada na plateia e não no palco, que eu tanto gosto de pisar, e já faz tempo que não o sinto, fico feliz. Falo de Teatro.
Ontem à noite não foram as vozes pujantes e as entradas e saídas de palco que me levaram a aplaudir, mas sim um conjunto de corpos que se colovam e descolovam em mil sentidos, sem nexo, sem história, sem rumo.
Acho que o verdadeiro amor não se explica. E como tal, o que senti ontem foi amor. Ama-se porque sim, nunca se encontram muitas justificações para se amar e geralmente as que se arranjam não são as verdadeiras, podem ser verdadeiras, mas não foram essas certamente que um dia nos levaram a olhar nos olhos de alguém e confessar o nosso amor.
Aqueles corpos entrelaçavam-se no chão, aparentemente sem grande ciência, aparentemente sem ensaio, aparentemente sem qualquer pretensão a algo de profissional...mas tudo isto não passa de uma grande aparência. A mão pousou o peso do seu tronco nas costas largas do outro que estava supenso nas pernas de quem com elas levantadas abraçava com força o corpo do primeiro. Passos ao acaso mas tal como no amor, com um propósito bem definido, à partida traçado. Não importa se caio ali, se não dou o salto no momento em que a luz se acende, se a mão desliza para o lado errado...como na vida, não importa os passos que damos, as vezes que caímos...importa sim onde queremos chegar, que à partida e para regra geral das pessoas não faz sentido.
Para regozijo de muitos e indiferença de tantos outros o fim vê-se sempre no final. E aí veremos se somos dignos de aplausos como ontem...ou não.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

... DANÇAR ;)


Há poucas coisas de que gosto de fazer, não sei se diga feliz ou infelizmente, talvez nenhuma das duas, talvez esse extremismo, caracteristica minha, não caiba aqui. Porque nada é totalmente bom, assim como nada é totalmente mau, embora seja por vezes complicado e muito, ver algo bonito no feio, mas...há quem vá conseguindo...isto tudo apenas e tão somente para dizer que adoro dançar e se pudesse fazer tudo na minha vida a dançar, assim seria. Falava a dançar, caminhava pelas ruas a dançar, chorava a dançar...as lágrimas podem ter um ritmo interessante...esperava nas urgências (bate na madeira) a dançar, discutia a dançar, tudo a dançar!!! O que seria do mundo sem a possibilidade de mexer a anca? Fazer Happy Feet e Crazy Legs? De dar voltas no próprio corpo e deixar que o peso penda para onde lhe apetecer fazendo mexer um ou dois musculos, de cantar a letra da música mesmo que não a saibamos e provavelmente nunca vamos saber, ninguém dá conta...Por falar nisso, não sei porque as pessoas gritam desesperadamente as letras das músicas...ninguém as ouve!! É isso ou falar aos berros nos ouvidos...bem mas é preferivel àquela tendência absolutamente desnecessária e nojenta de colarem os lábios nos ouvidos da outra pessoa. E já que estou a falar em discotecas, que por sinal não aprecio muito, já apreciei, há uma idade para tudo...questiono-me qual é o idiota que pensa que diversão é:
- beber até cair para o lado é diversão;
- abanar o copo e levantar a mão com o cigarro é dançar;
- dançar aquela música despersonalizada de qualquer profundidade;
- vomitar é Cool e muito mais Cool é contar as peripécias porque passaram no dia a seguir. Entenda-se por peripécias acidentes, adormecer no relvado da casa, partir o pote mais caro da casa, ou no limite entrar em coma, acho o coma fenomenal;
- eleger a discoteca como o local ideal para se fazer amigos ou algo mais. Num antro daqueles todos são amigos de todos, é quase como que uma seita. Todos são Cool (e desculpem a repetição da palavra, mas acho que concretiza mesmo o que quero expressar por palavras, num outro caso faria uma dança tribal);
- um bom local para desabafar confesso, primeiro porque a outra pessoa não ouve metade dos lamentos e mesmo que ouça no dia seguinte já não se lembra, portanto o problema do segredo ser espalhado fica à partida sanado;
- um bom local para conhecer alguém? Helloooooo! Estamos com os cinco sentidos alterados, acham mesmo que quando voltarem ao normal se direccionam na mesma direcção? Tenho as minhas dúvidas...
Ah também acho piada à pergunta: "Vais para a noite?", normalmente estou nela, mas de facto só corrobora com a minha teoria, ir para a discoteca é mesmo entrar noutra dimensão.
Que fique claro que não tenho nada contra discotecas, nem contra quem gosta mesmo de ir para as ditas cujas, eu também gosto, apesar de serem necessários mil requisitos, sou esquisitinha, e convém salvaguardar que não estou zangada com a vida, nem tou pouco com o mundo...e já agora que não tenho oitenta anos...mas...há coisas bem melhores para se fazer, e de olhos bem abertos e com todos os sentidos apurados...por exemplo DANÇAR!;)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

QUANDO


Quando nos damos conta que temos cabeça para pensar, damo-nos igualmente conta que a preferiamos não ter, precisamente para não termos que pensar. Irónicamente quando a necessidade de pensar surge a confusão instala-se e quando instalada as dúvidas surgem umas a seguir às outras, sempre sem resposta ou com respostas constantemente adiadas.
Quando temos que pensar, é porque os problemas surgem nas nossas vidas, regra geral sem avisar, apesar de muitos já serem esperados, apenas mais uma vez adiados, evitados, apenas para não terem que ser pensados.
Quando pensamos sofremos, sofremos porque ouvimos de nós mesmos aquilo que queremos e não ouvir, chegamos a constatações óbvias mas as quais não queremos crer, e por isso vamo-nos enganando à custa de algum optimismo alheio...mas no fundo, bem lá no fundo nós sabemos que temos sempre razão. Acredito que de nós, só nós sabemos e mais ninguém. Podemos desfazer-nos em mil explicações, associações e comparações...podemos ser transparentes, mas a transparência é tão falsa quanto os sorrisos que vamos soltando ao longo do dia, assim como a força que vem de não sei onde, mas vem e contagia, e desgasta-nos, desgata-nos ao ponto de chegarmos a casa e necessitarmos de uma injecção do que demos, é uma ressaca emocional que raramente alguém consegue colmatar.
Porque não podemos simplesmente não pensar? Porque não podemos simplesmente pôr para trás tudo e todos sem quaisquer remorsos e piedade? Porque não viver como se mais ninguém existisse?
Uma visão fria da vida?Sim!Porque não?Assim nunca esperamos nada em troca, também nunca demos...É justo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

MORTE


Quando a morte nos é familiar, a nossa percepção do mundo muda, tudo muda à nossa volta, talvez porque a partir desse fatídico momento constatemos a mais pura das verdades e a mais dolorosa: acontece a todos. E aí apercebemo-nos que fazemos parte integrante desse "todos", ao qual não gostariamos de pertencer apenas nesse aspecto em particular.
Ninguém está preparado para morrer, é sempre cedo demais, ainda temos tantas coisas para fazer, para mudar nas nossas vidas e o desejo de recuar atrás no tempo é forte, forte e cruel na sua impossibilidade. Às tantas não fariamos nada diferente, não seguiamos rumos diferentes, talvez só exista mesmo um que nos é entregue à partida, mas mesmo assim, mesmo tendo que passar por todos os sofrimentos não nos importávamos, porque fomos programados para viver, encontrar o desconhecido conhecendo e com a mão que sempre está próxima. Todos tememos o escuro quando de olhos fechados, ainda que de olhos abertos não se vislumbre grande coisa, ou mesmo nada, mas a simples consciência que podemos mudar esse detalhe...muda tudo...Quando algo nos foge ao controle o pânico instala-se, porque não confiamos em mais ninguém que não seja o homem, que não sejamos nós, porque não temos fé...porque não temos fé suficiente, e já não digo em Deus, mas em nós mesmos.
Vivemos uma vida inteira com medo da morte, da nossa, da dos que mais amamos e que não conseguimos jamais imaginar a nossa vida sem eles...ao mesmo tempo temos consciência que um dia será o nosso dia de partir, não é apenas a consciência, temos a certeza. Mas ainda assim, optamos por nos recordar de que isso nos vai acontecer e perder os momentos em que também temos a certeza de estarmos vivos a pensar no fim...O medo é tanto que preferimos pensar que não sabemos e que talvez as coisas não sejam bem assim, a negação é tanta que para nós isso não acontece acontecendo.
Às vezes dá-me a sensação que o ser humano tem uma inteligência absolutamente emocional, a ponto de conseguir esconder, enublar por uns tempos a certeza mais certa nesta vida. Será que não há uma maneira de matemáticamente equacionarmos a morte com normalidade? Por isso sempre preferi escrever a fazer contas, sinto-me mais inteligente, gosto da arrogância que isso me confere, não sobreviveria sem a capacidade de sentir em pleno, de cair no fundo do poço pelo que muitos acham pouco, sem a capacidade de ironizar e de discutir com o mundo...mesmo havendo equações matemáticas, a essência do ser humano, a sua fragilidade, o seu destino...nós mesmos, no fundo dos nossos mais intimos pensamentos, sentimentos...iremos sempre chorar desenfreadamente, sentir um aperto no coração...e não compreender, nem querer compreender a morte.