
sexta-feira, 25 de julho de 2008
EQUAÇÕES

domingo, 20 de julho de 2008
SEMPRE A DANÇAR...
Sim...continuo a dançar, a dançar até à exautão, dançar até morrer.
Não hei-de rebolar no caixão, hei-de dançar! Deitada, sentada, com os pés na parede...seja onde for...eu estarei a dançar...
Sou daquelas pessoas que não haverá muito certamente a recordar um dia, mas se alguém se lembrar gostava que a visão fosse essa. Muitos terão que imaginar, a maioria diria...mas vejam-me a dançar, sempre...
sexta-feira, 18 de julho de 2008
EM TI...
Não resisti à substituição dos vídeos...não resisti a esta música, ou melhor a tudo o que lhe está inerente, ao que ela transpira e faz transpirar...
É para ti como tu sabes...É absolutamente mágico quando partilhamos esta música, supera-a, supera-nos...é lindo...
BA...
domingo, 29 de junho de 2008
ERA ESTA...
Era esta a música que silenciosamente e só para mim cantava de manhã. Foi ao som dela que timidamente os meus pés dançavam colados na parede.
Era esta Ba.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
ROMEU E JULIETA
Silêncio porque sim.
Silêncio é a banda sonora que nos acompanha desde o ínicio e não nos abandonará nunca no fim.
Silêncio confirmador absoluto de palavras soltas.
Silêncio reafirmante de memórias presentes.
Silêncio tocado, silêncio sentido, silêncio falado, silêncio partilhado, silêncio até ao fim.
Silêncio porque sim.
Nada no meio. Transparência no meio. Talvez seja apenas e tão somente um vidro que nos separa de tantas coisas alcançaveis, que já vimos, que já imaginámos.
Basta partir o vidro. Simples parece. Até um simples vidro frágil, transparente se pode tornar na parede mais difícil de transpôr. Mas nunca ninguém diz impossível. Há e haverá para todo o sempre a possibilidade.
Afinal tudo e todos dependem unica e exclusivamente de nós e dos nossos vidros partidos, estilhaçados, inexistentes. Só temos é de querer fazer alguma coisa com eles. É mais fácil mantê-los, mantê-los limpos, mas não é o que dá sabor à vida.
E o que eu quero da vida, mais do que nunca é saboreá-la. BA.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
GOSTO....SERENAMENTE
Serenamente ouço a tua voz, parece vir do fundo, mas vem de mais longe ainda, vem de dentro, das profundezas em que a tua alma se estende. Grandiosa. CSI...:)
Vamo-nos rir um bocadinho, boas Ba?
Sabe tão bem rir de nós, rir dos outros (no bom sentido)...Sabe tão bem rir!!!
domingo, 8 de junho de 2008
BY

sexta-feira, 30 de maio de 2008
AMELIE:)
De cada vez que ouço esta música, que ouço este piano, que revejo o filme na minha cabeça, que sinto esta Amelie dentro de mim e me revejo nela...iria certamente rever muito mais, se os meus medos não me escondessem tanto, não abafassem tanto a minha voz, não prendessem tanto os meus movimentos, não colocassem o meu coração numa prisão...tal é o medo de me magoar e de magoar, os dois grandes medos que persistem e que eu gostava de não os ter, que eu gostava de os perder, talvez até seria mais gratificante...perdê-los...
Tenho vontade de fechar os olhos e de dançar até à exaustão, de deixar as lágrimas correrem acompanhadas de um enorme e sincero sorriso, vai mais além de um sorriso e solta-se numa enorme gargalhada. Tenho vontade de fazer tanta coisa quando ouço esta música, mais ainda de sentir, espero vir a poder sentir ainda.
Porque é lindo demais quando se fala a mesma linguagem, quando não se precisa falar e apenas se comunica com um olhar às vezes fugidio, às vezes tão falador, às vezes tão sorridente, às vezes expectante, às vezes impossível de dispersar, impossível de ignorar.
O olhar vale isso e muito mais, reconforta a alma e aquece o coração. Intimida-nos de forma deliciosa e faz palpitar os nossos pequenos, grandes corações...que por segundos, momentos, pareciam mortos.
domingo, 25 de maio de 2008
CHUVA

ZERO SEVEN
Gosto de ouvir está música, faz-me sentir calma e de alguma maneira possibilita-me entrar num sonho, no meu mundo dos sonhos.
Não sei porquê imagino sempre uma praia, não sei porquê sinto logo os meus pés enterrados na areia enquanto caminho à beira mar, regra geral cheia de frio...não sei porquê sinto o vento a despentear-me e vejo-me a desistir de o colocar certinho, até porque não gosto de nada que seja certinho demais, não sei porquê sei que não vou resistir à tentação das ondas, e não sei porquê faço-o sempre como se me estivessem a obrigar e eu não quisesse nada...não sei porquê sei que me vou sentar e fazer desenhos na areia ou até um tunel com pontes...sei que não é para a minha idade, mas não resisto, assim como não resisto a fumar um cigarro e a vê-lo ser consumido pelo vento e não por mim...sei que vou apanhar conchas e pedrinhas e que vou achá-las todas demasiado belas para não ficarem comigo, mas depois vou ter pena de algumas e achar que devem ficar ali, como se também elas sentissem e não se quisessem separar do mar...
Suspiro, respiro bem fundo e não consigo ter outra expressão na cara...a não ser um sorriso, talvez o mais meigo e feliz, mesmo que as lágrimas inevitávelmente escorram...
É bom demais estar na praia, sem ser no tempo dela...e bem acompanhada:)
VIDAS

quinta-feira, 22 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008
QUEDAS

sexta-feira, 16 de maio de 2008
HÁ DIAS...

terça-feira, 13 de maio de 2008
TRIBALISTAS
Se eu fechar os olhos e embalar-me nesta música, as recordações são tantas e tão doces, que só apetece sorrir, mais do que isso voltar para trás. É um desejo tão forte, tão sincero...que fico com inveja de mim mesma, de como e do quanto já fui tão feliz.
Regra geral punhamos a música para namorar:)
sexta-feira, 2 de maio de 2008
SE EU NÃO TE AMASSE TANTO ASSIM...

Voando só por voar
Sem saber aonde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas que hoje eu descobri no seu olhar
As estrelas vão me guiar
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas foi mais
Muito além
Do tempo de um vendaval
Dos desejos num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
domingo, 27 de abril de 2008
CIARA - LIKE A BOY
A música que vou dançar em palco!!!!Rendi-me por completo ao hip-hop!!É lindo quando conseguimos expressar fisicamente uma letra que se sente e que se harmoniza com movimentos e muiiiiiiiiiiiita sensualidade!:)
CHEIROS

Às vezes acordo e luto, e quero lutar, e quero olhar para a frente como se o caminho tivesse começado aqui, com o devido amor dentro do meu coração que minuto após minuto se parece alimentar de falsas ilusões, e de esperanças infundadas. Mas depois...e foi o que me levou a escrever este texto agora, neste preciso momento...um cheiro, um simples aroma consegue destronar tudo o que conquistámos ou pensámos conquistar em semanas, meses até. E aí damo-nos conta que a nossa fuga não passa disso mesmo, de uma fuga, é também um processo, mas não é um processo que nos permita ganhar forças, amadurecer e acima de tudo ultrapassar de forma o mais possível positiva e sorridente o que tantas lágrimas já nos fez derramar. Damos conta que afinal estamos na estaca zero e que a casa continua por construir, aquela pequenina casa onde vamos guardar o sentimento para todo o sempre, sabemos onde ele está e como tal escusamos de andar sempre a revivê-lo, a procurá-lo e talvez a encontrar dentro da nossa organização, momentos desarrumados, dos quais ainda não fizemos o verdadeiro luto. Aquele que nos permite viver em paz.
Começar a construção demora, custa...e não se quer, não se quer...talvez o cheiro seja mais forte do que aquilo que um dia pudemos sequer imaginar.
Olhei para o frasco, não era de perfume...e ainda pensei em ignorar o pedido feito em voz alta no meu coração, mas não consegui. Abri a tampa, olhei, deitei todo o ar fora que tinha dentro dos meus pulmões e inspirei de olhos bem cerrados...que maravilha...vozes, risos e sorrisos, palavras, dias, calor, cansaço, fome, um beijo, um banho...uma série de imagens passaram a mil mesmo diante de mim, imagens da minha vida e de cada vez que aproximava o nariz a história continuava e se não me tivesse olhado ao espelho e ter tido pena de mim mesma, teria certamente ficado ali o resto da noite.
Acho que tão depressa não me esquecerei da cara que vi reflectida no espelho, uma cara que não era a minha, uma expressão que eu já não me lembro de fazer, de ter, um sorriso, um sorriso que só consigo descrever como estúpido e que lentamente me levou a um choro silencioso, ainda que compulsivo, só de pensar no estado a que as pessoas chegam.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
CAMALEÓNICA??










Vai uma votação?:) Não consigo ficar muito tempo igual, cansa-me, entedia-me...e cometo pequenas loucuras que também me satisfazem por pouco tempo, aliás como tudo na vida. Acho que o meu aspecto é o lado mais visível da minha impaciência com a vida. Como ela não muda, ou parece não querer mudar, mudo eu!!Mas só por fora...Ao olhar estas fotos, vejo uma pessoa diferente em todas elas...não, não tenho várias personalidades...estranho, mas vai-se entranhando até acordar com uma nova ideia, que entretanto não sei se é bom, ou se é mau, tenho coragem de colocar sempre em prática!Qual será o meu novo look, neste momento, nenhum dos que aqui estão... Qual virá por aí?Hummm...
segunda-feira, 14 de abril de 2008
LIFE...QUERO

domingo, 13 de abril de 2008
CONTINUAÇÃO BOOK (3)
E naquele dia que sorria lá fora decidiu levar as crianças para o jardim, para apanharem sol, sentirem a brisa e os cheiros da natureza. Tinha preparado uma aula diferente, como sempre foram.
Sabia que a única maneira de os manter sossegados, ou pelo menos mais quietinhos era cativá-los com algo que não conhecessem, ainda que pudessem não perceber ela sabia que iriam ficar a pensar e iriam criar as suas próprias histórias, imprimir as suas fantasias a personagens que achassem caricatas…Depois de os reunir em circulo, todos sentados…
-Hoje vou-vos contar uma história! Boa! Mas aviso-vos já que não é uma história qualquer…é uma lenda! Alguém sabe o que é uma lenda? Levantem os bracinhos!
-É uma história mentira!
-É uma história que se conta às crianças para elas terem medo e para comermos tudo!
-O meu pai de cada vez que a minha mãe me obriga a comer a sopa fala-me do papão. Acho que a lenda é o papão!
-Não é nada! A lenda é pessoas velhas que contavam histórias velhas!
-Bem estou a ver que vocês andam muito informados! E mal! Então agora quero que prestem muita atenção e ficarão a perceber o significado de “lenda”! Sim? Preparados?
Vamos a isso…
Era uma vez uma pequena pastora. Certo dia enquanto andava com os seus animais a passear pelos campos descobre uma gruta e dentro dessa pequena gruta, qual não é o seu espanto quando encontra uma estátua de Nossa Senhora. Mal se aproximou dela, achou-a muito bonita e depressa a agarrou, e esta passou a ser o seu brinquedo e a sua companhia favorita.
Um dia, a mãe estava já farta de a ver brincar com o que parecia ser uma boneca que, numa discussão, agarrou-a e atirou-a para dentro da lareira. A menina ao ver isto, em pânico, correu de imediato atrás da estátua conseguindo tirá-la das chamas. Por incrível que pareça, mesmo com as chamas, a estátua ficou intacta, não estava nada queimada, nem partida, parecia que nem tinha sido atirada para uma lareira! Só podia ser milagre, e um milagre que rapidamente se espalhou por toda a aldeia, todas as pessoas falavam da estátua que tinha sobrevivido intacta às chamas do fogo, acreditavam mesmo que poderiam estar diante de um milagre e foi então que decidiram colocar a estátua da Senhora numa Igreja decente, e assim foi. Mas algo muito estranho aconteceu… A estátua pouco tempo depois desapareceu, sem ninguém perceber como e porquê. Depois de muito a procurarem encontraram-na onde?
-Foi a menina! Foi ela!
-Não, calma…ouçam…
Encontraram-na na gruta onde a pastorinha a vira inicialmente.
Depois de mais algumas tentativas, de tentarem colocar a estátua em locais mais bonitos, onde todos a pudessem ver, descobriram que a estátua parecia ser milagrosa e desaparecia sempre, aparecendo de novo na gruta. A estátua não parecia querer mudar de casa e foi aí que se lembraram de construir uma nova capela, desta vez no sítio que a estátua tanto parecia gostar.
Desde aí, a estátua não desapareceu mais e ainda hoje o penedo encontra-se intacto dentro das paredes da Igreja.
À volta desse penedo surge depois uma nova lenda, era um penedo grande mas que escondia uma passagem estreitinha, daquelas passagens em que parece que nunca cabemos, o estranho é que todos a conseguem passar por mais gordos que sejam, por mais barrigas gigantes que tenham.
Por não se entender muito bem o porquê de até os mais gordos conseguirem passar num sítio tão estreito, o povo diz que todas as pessoas de boazinhas, que fazem o bem aos outros conseguem passar, independentemente de serem gordas ou magras; só não passam os pecadores.
-Outra curiosidade, sabiam que na sacristia existe um réptil embalsamado? Conhecido como o Sardão da Lapa, algo estranho para se guardar numa Igreja. Ou não! Diz uma nova lenda que um homem, possivelmente na Índia, teve um encontro furtivo com aquele feroz animal. Em pânico, gritou pela Nossa Senhora e esta salvou-o, e como recompensa, como forma de agradecimento por a Nossa senhora o ter acudido, ele resolveu embalsamar o animal e trazê-lo até ao Santuário em Portugal, como prova do seu profundo agradecimento.
-E que tal gostaram? Ficaram a perceber o que é uma lenda?
-Sim! Sim! Conta mais!
-E era um crocodilo daqueles grandes e maus?
As questões não cessavam…Ficaram muito excitados com a história, queriam saber mais, havia aqueles mais desconfiados que remodelavam a história em três tempos de forma enigmática como se estivessem a resolver um crime…a mente das crianças voa, não tem medo de cair…Estava a ficar escuro, frio e era altura do lanche e embora ela mantivesse sempre um sorriso nos lábios e uma ternura incansável estava se ser...
sexta-feira, 11 de abril de 2008
GUILLERMO VARGAS HABACUC




Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtissima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede. Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario.quarta-feira, 9 de abril de 2008
CONTINUAÇÃO BOOK (2)

-Não posso agir por si, isso eu não posso fazer. Não posso nem quero decidir por si… Estudei psicologia, é verdade, mas isso não me dá o direito ou as capacidades para actuar como Deus, decidindo acerca de questões tão pessoais e íntimas como esta. Aliás, eu utilizei uma péssima comparação porque, no fundo, eu acho que se existisse algum Deus ele não permitiria que o mundo fosse assim.
-Deus… Acha que Deus deve ser responsabilizado pelos nossos erros? Podemos acender um fósforo e acusar Deus de não ter feito chover naquele momento exacto? Tratamo-lo sempre como se de um escravo se tratasse, alguém que existe para satisfazer os nossos desejos a troco de uma oração memorizada ou de uma vela acesa.
Depois de uma ligeira pausa, voltou a baixar o tom de voz.
-Não divaguemos mais. Vá falar com os seus sogros, é o meu conselho, não adie o inadiável, vai ver que se sentirá melhor e pense na Madalena, mais do que nunca precisa dos avós.
A Sara está nervosa, está a decidir com a cabeça quente. Além disso, eu sou a pessoa menos indicada para fazer isso.
-Não estou em condições para conduzir, não vê!
-Se decidir ir, eu própria a levo.
Apesar de resistente, acedeu ao pedido, ela apenas estava a evitar sofrer mais, chorar mais, mas o sofrimento era inevitável, e mais valia sofrê-lo agora. Chegaram. Depois das apresentações reuniram-se na sala, a psicóloga achou por bem ir brincar com a Madalena, quando o pai diz:
-Chegou hoje um envelope endereçado a nós, mas é para ti…não sabemos o que é, mas não nos pareceu correcto sermos nós a abri-lo, de qualquer das formas parece óbvio que ele queria que o abrisses connosco…
Ela concorda, fica hesitante, com muito medo de ler o que quer que fosse vindo dele…
-Começa assim:
Espero que não encarem o meu acto como um mero suicídio irreflectido, mas antes como um acto de libertação e expurgação. Espero também que ele não suscite quaisquer sentimentos de culpa pois, a existirem, esses são da inteira responsabilidade do destino. Estamos em 1996 e o destino já é o culpado.”
-Podem-me explicar que data é esta?
-Isto não pode ser para mim! Que brincadeira de mau gosto é esta?
-Continua a ler…só assim vamos perceber…
-Mas não percebem que só o conheci em 2005?
-Mais uma razão para leres…
-O que me estão a esconder?
-Lê, por favor…
18 de Novembro de 2005
O dia estava como há muito não aparecia, o sol apesar de fraco, brilhava no céu, e as nuvens negras que até aqui assombravam a cidade estavam cinzentas, quase que prometiam desaparecer. As crianças naquele dia estavam particularmente irrequietas, devia ser do sol, há tanto escondido, ela própria estava a ser invadida por uma sensação de alegria e vivacidade únicas…o tempo sombrio faz-nos inevitavelmente mais tristes…e aquelas crianças precisavam de felicidade, de alegria, de momentos de sorrisos e gargalhadas soltas, como todas as crianças precisam. Precisam de amor, não esperavam dela uma mãe, que dá ordens, que discute, que às vezes não tem paciência, que chega a casa cansada do trabalho, que a única coisa que anseia é esticar-se na cama e não ouvir um único som, apenas o do silêncio, aquele que não obteve desde o momento em que acordou. Não esperavam isso dela, esperavam precisamente o oposto, esperavam alguém que ali estivesse a tempo inteiro, alguém sem vida própria a não ser aquela, disposta a espalhar cor e alegria em tudo o que faz, em cada criança que toca, alguém que sabe passar a mão na cabeça, perdoar as travessuras e ter paciência infinita para aqueles pequenos diabretes. E era isso que ela era, não era apenas uma mulher, não era somente uma educadora de infância, ela era mãe, irmã, amiga, avó…todas aquelas pessoas imprescindíveis ao nosso crescimento, à nossa maturação, que assistem aos percalços das nossas vidas não de braços cruzados mas com uma voz activa sempre disposta a salvar-nos, a dar-nos a mão, mesmo que sejamos os mais culpados deste mundo. Era ela. Era essa a vida dela, já há muito a...
domingo, 6 de abril de 2008
BOOK (1)

-Preciso de ajuda! Por favor, preciso de ajuda…
-Mantenha-se calma. A ambulância já vai a caminho.
-Mas ele… Ele não se mexe nem respira. Eu acho que ele não está a respirar… Ele precisa de ajuda, rápido! Rápido!
-Tenha calma, por favor. Não vou conseguir ajudá-la se não se mantiver controlada. Tente explicar-me melhor o que aconteceu, tente…
-Eu não sei! Ele está… Não sei, ele está deitado! Ele está deitado e… e… Venham rápido, por favor, eu não sei o que fazer. Oh, meu Deus…
-A ambulância deve estar mesmo a chegar. Confirme-me novamente a morada, por favor.
-Oh meu Deus, ele não está mesmo a respirar… Oh, meu Deus… O que é que eu faço? Ajudem-me, tem de me ajudar, rápido…
-Está? Está?
-(silêncio)
-Está? Por favor, não desligue o telefone! Fale comigo! Através do pulso consegue sentir os batimentos cardíacos?
-Venham rápido! Eu… Eu não percebo. Porquê? Porquê?
-O que se passa? Aconteceu mais alguma coisa? Não deixe de comunicar comigo! Está? Ainda aí está?
As horas seguintes foram de uma lentidão atordoante. Os ponteiros do relógio mantinham-se inflexíveis, na sua rotação incessante, mas tudo o resto parecia mover-se de uma forma extremamente morosa. As sirenes, as paredes brancas do hospital, o desolador regresso a casa.
Tal como acontece no cinema, as imagens não pedem permissão para se sobrepor uma a seguir à outra, mesmo que estejamos a odiar o argumento ou nos apetece mudar completamente a história. Essa história, para o bem e para o mal, está escrita e delineada, e já ninguém a conseguirá mudar. E o facto de fecharmos os olhos de pouco servirá. Os olhos fecham mas as imagens continuarão, ficando o som encarregue de nos lembrar desse pormenor.
É nestas alturas da vida que o mundo parece mais simples e, ao mesmo tempo, nada parece fazer sentido. É provavelmente o único momento em que todos deixam cair a máscara, os trajes e a ambição. Frio e desolado como um pedregulho, o coração deixa de ter utilidade a não ser bombear o sangue, e mesmo para essa tarefa, o esforço agora requerido é quase sobre-humano.
Depois de bater duas vezes à porta, esta é finalmente aberta por um fantasma.
-Olá, eu sou psicóloga do departamento médico do Hospital S. Teotónio (da PSP). Desde já, gostaria de apresentar os meus sentidos pêsames. (silêncio) Embora isso nem sempre aconteça, neste tipo de situações gostamos de visitar os familiares mais próximos, dando, tanto quanto possível, o nosso apoio e compreensão. É verdade que nem sempre somos acolhidos com a maior receptividade mas… Como está a reagir, Sara?
A pergunta não suscitou qualquer reacção.
-Posso entrar?
Os seus olhos, embora continuassem vazios, levantam-se ligeiramente.
-Claro. Desculpe o meu estado.
-Obrigado. Eu sei o que está a passar e certamente não é nada fácil. Aliás, o caminho que agora vai ter de percorrer é penoso, longo e doloroso, mas nem por isso devemos baixar os braços e desistir. Não tenho razão? Ainda para mais eu sei que tem uma menina linda, que nasceu há pouco tempo.
-É verdade.
-Como está ela?
-Como posso saber? Só tem dois meses, provavelmente nem deu conta de nada.
-Posso vê-la?
- Ela está a dormir lá em cima.
-Acontece, por vezes, que desviamos a atenção daquilo que nos é mais importante. E isso é compreensível, tendo em conta o nível de stress e fadiga psicológico pelo qual as pessoas passam. Tem algum familiar que possa ficar consigo estes dias?
-Não.
-E acharia benéfico ter algum acompanhamento ou alguma ajuda para tomar conta do bebé?
-O quê? Nunca precisei nem vou precisar de ajuda. Está a insinuar que não sou capaz de cuidar da Madalena? Mas estarão todos doidos?
-Desculpe, se calhar expressei-me mal…
-Não tentem retirar o pouco que me resta!
-Ninguém insinuou isso e, por favor, tente compreender o meu papel. Estou aqui apenas para tentar ajudar, nada mais. E, por mais insuficiente que isso possa parecer, boa parte da ajuda que tenho para oferecer resume-se a um ombro amigo, um pouco de conversa pelo qual pode desabafar e eu vou percebendo quais são os maiores problemas. Milagres, ninguém os fará, mas conversando um pouco talvez consigamos trazer alguma paz.
-Quer ajudar-me? Quer trazer-me alguma paz? Diga aos meus sogros que quero ficar sozinha, e que agora não vou lá a casa...
quinta-feira, 3 de abril de 2008
THE NICEST THING
All I know is that you're so nice,terça-feira, 1 de abril de 2008
PORTO


Duas cidades tão próximas, duas realidades tão diferentes. Porto, uma cidade com alma e espírito gigantes, que alimenta vivamente todas aquelas pessoas tão diferentes, tão iguais que deambulam frenéticamente pelas ruas da cidade, imprimindo um dinamismo e uma cor que altera as tonalidades acinzentadas que contornam cada recanto de cada esquina que viramos.sábado, 22 de março de 2008
O QUE É ISTO??





Sinceramente custa-me a crer que alguém possa encontrar beleza nestes adornos e acessórios que mais parecem máscaras assustadoras de quem não se consegue ver ao espelho tal e qual como é. Questiono-me vezes sem conta de onde vem a necessidade de ser diferente, e só a uma conclusão chego, são simplesmente pessoas que não conseguem ficar satisfeitas com a normalidade, a sua e a dos outros.sexta-feira, 21 de março de 2008
AFINAL HÁ TANTAS DIRECÇÕES

A CIDADE DOS ANJOS
