domingo, 29 de junho de 2008

ERA ESTA...

Era esta a música que silenciosamente e só para mim cantava de manhã. Foi ao som dela que timidamente os meus pés dançavam colados na parede.

Era esta Ba.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

ROMEU E JULIETA

Silêncio porque sim.

Silêncio é a banda sonora que nos acompanha desde o ínicio e não nos abandonará nunca no fim.

Silêncio confirmador absoluto de palavras soltas.

Silêncio reafirmante de memórias presentes.

Silêncio tocado, silêncio sentido, silêncio falado, silêncio partilhado, silêncio até ao fim.

Silêncio porque sim.

Nada no meio. Transparência no meio. Talvez seja apenas e tão somente um vidro que nos separa de tantas coisas alcançaveis, que já vimos, que já imaginámos.

Basta partir o vidro. Simples parece. Até um simples vidro frágil, transparente se pode tornar na parede mais difícil de transpôr. Mas nunca ninguém diz impossível. Há e haverá para todo o sempre a possibilidade.

Afinal tudo e todos dependem unica e exclusivamente de nós e dos nossos vidros partidos, estilhaçados, inexistentes. Só temos é de querer fazer alguma coisa com eles. É mais fácil mantê-los, mantê-los limpos, mas não é o que dá sabor à vida.

E o que eu quero da vida, mais do que nunca é saboreá-la. BA.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

GOSTO....SERENAMENTE

Serenamente ouço a tua voz, parece vir do fundo, mas vem de mais longe ainda, vem de dentro, das profundezas em que a tua alma se estende. Grandiosa.

Serenamente sorrio, sem pressas e sem medo que o sorriso termine...quando os lábios se tentam fechar, são obrigados a esboçar de novo um outro sorriso, ou uma gargalhada...porque sim, porque me fazes rir, sorrir...sempre...

Serenamente deixo que os meus olhos se fechem e contemplem o toque. Pensamentos vazios dos mais enriquecedores e quentes para a minha alma que já alguma vez tive preenchem a minha mente, que não raciocina por momentos, que não equaciona...apenas se deixa levar e se transcende.

Serenamente aprecio...aprecio o belo. Os pormenores tão pequenos e discretos que fazem de ti uma pessoa tão mágica. Mãos de mágico. Tocas em tudo com mistério e amor, e fazes-me sorrir novamente.

Vou caminhar, correr, sentir, tocar...fazer tudo, o tudo que quero fazer serenamente, apenas para não perder nada, uma única viagem, um simples devaneio, uma simples palavra tantas vezes quase que imperceptível...nada que a expressão facial não desvende a uma rapidez aliciante e alucianante.

Continuando...O texto Gosto... no meu, teu caderno preto, Ba!

CSI...:)

Vamo-nos rir um bocadinho, boas Ba?

Sabe tão bem rir de nós, rir dos outros (no bom sentido)...Sabe tão bem rir!!!

domingo, 8 de junho de 2008

BY


Escrever sem escrever.
Escrever sem falar...sem dizer nada...dizendo tudo, escrevendo tudo até ao mais infimo pormenor, porque é neles que está a tua magia, o teu encanto, o nosso mundo, tão pequeno e tão grande, tão longe e tão perto...afinal sempre esteve ali, afinal sempre esteve assim.
Rimos nos mesmos momentos, angustiámos ao mesmo tempo, lutámos sempre que o tivemos de fazer, culpámo-nos e chorámos no nosso canto, um canto pequeno no qual não parecia caber mais ninguém, um canto que depressa se iria expandir de tanto lá vivermos, um canto que já era o teu, que já era o meu e solitáriamente faziamos par a par e passo a passo as mesmas rotinas.
Imagino dois acordares, dois dias, um de cada um de nós, duas noites, uma de cada um de nós, um tentar adormecer, um conter de lágrimas...sempre em simultâneo, até na tristeza a harmonia nos uniu.
No desalento e na fraca esperança que temos em nós mesmos, nos juntámos... Coincidência?"Acaso"?Destino? O mundo a querer mostrar alguma coisa, a querer-nos acordar da dormência em que paralisámos já faz tempo, a querer-nos fazer ouvir na surdez desesperante as mesmas palavras sempre e todos os dias, a querer abrir os nossos corações grandes, mas desaprendidos, desejosos de amar, possuidores de um medo ofuscante que nos faz párar...
Em cada tristeza, em cada lágrima está um sorriso, mais forte que qualquer dor. Apenas temos que aprender a soltá-lo e a deixá-lo fluir na inevitabilidade de querermos estar.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

AMELIE:)

De cada vez que ouço esta música, que ouço este piano, que revejo o filme na minha cabeça, que sinto esta Amelie dentro de mim e me revejo nela...iria certamente rever muito mais, se os meus medos não me escondessem tanto, não abafassem tanto a minha voz, não prendessem tanto os meus movimentos, não colocassem o meu coração numa prisão...tal é o medo de me magoar e de magoar, os dois grandes medos que persistem e que eu gostava de não os ter, que eu gostava de os perder, talvez até seria mais gratificante...perdê-los...

Tenho vontade de fechar os olhos e de dançar até à exaustão, de deixar as lágrimas correrem acompanhadas de um enorme e sincero sorriso, vai mais além de um sorriso e solta-se numa enorme gargalhada. Tenho vontade de fazer tanta coisa quando ouço esta música, mais ainda de sentir, espero vir a poder sentir ainda.

Porque é lindo demais quando se fala a mesma linguagem, quando não se precisa falar e apenas se comunica com um olhar às vezes fugidio, às vezes tão falador, às vezes tão sorridente, às vezes expectante, às vezes impossível de dispersar, impossível de ignorar.

O olhar vale isso e muito mais, reconforta a alma e aquece o coração. Intimida-nos de forma deliciosa e faz palpitar os nossos pequenos, grandes corações...que por segundos, momentos, pareciam mortos.

domingo, 25 de maio de 2008

CHUVA


A chuva é estranhamente triste, estranhamente desconcertante, estranhamente reconfortante, estranhamente assustadora, estranhamente meiga, estranhamente romântica.

Quem nunca se imaginou no sofá enrolado ao seu amor, a ver um bom filme num dia frio, cinzento de chuva?

Terminar o filme e permanecer ali sem horas, sem telefones...sem mundo lá fora, só o som da chuva a bater nas janelas?

Quem nunca experimentou deixar de se encolher e cerrar os olhos enquanto chove torrencialmente e simplesmente descontrair, deixar que a chuva nos molhe, molhe cada recanto do nosso corpo, dos nossos cabelos...sentir as pingas uma a uma, sentir as roupas coladas e ainda assim experienciar um prazer quase que viciante...porque por mometos não queremos saber de mais nada, se vamos ou não ficar doentes, se molhamos as roupas ou não...são raras as vezes que sentimos a liberdade de poder olhar para o céu, abrir a boca, esticar a lingua e sentir a chuva dentro de nós.


Experimenta:)

ZERO SEVEN

Gosto de ouvir está música, faz-me sentir calma e de alguma maneira possibilita-me entrar num sonho, no meu mundo dos sonhos.

Não sei porquê imagino sempre uma praia, não sei porquê sinto logo os meus pés enterrados na areia enquanto caminho à beira mar, regra geral cheia de frio...não sei porquê sinto o vento a despentear-me e vejo-me a desistir de o colocar certinho, até porque não gosto de nada que seja certinho demais, não sei porquê sei que não vou resistir à tentação das ondas, e não sei porquê faço-o sempre como se me estivessem a obrigar e eu não quisesse nada...não sei porquê sei que me vou sentar e fazer desenhos na areia ou até um tunel com pontes...sei que não é para a minha idade, mas não resisto, assim como não resisto a fumar um cigarro e a vê-lo ser consumido pelo vento e não por mim...sei que vou apanhar conchas e pedrinhas e que vou achá-las todas demasiado belas para não ficarem comigo, mas depois vou ter pena de algumas e achar que devem ficar ali, como se também elas sentissem e não se quisessem separar do mar...

Suspiro, respiro bem fundo e não consigo ter outra expressão na cara...a não ser um sorriso, talvez o mais meigo e feliz, mesmo que as lágrimas inevitávelmente escorram...

É bom demais estar na praia, sem ser no tempo dela...e bem acompanhada:)

VIDAS


Hoje acordei de manhã, o que para mim significa manhã e apetecia-me escrever, muitos temas surgiram na minha mente, talvez dessem bons textos ou bons desabafos...mas o que é certo, é que agora parece que tudo se esvaiu da minha mente. Sinto-me pequenina por várias razões, mas por me sentir pequenina, vou falar um bocadinho de mim enquanto pequenina, talvez o que menos importância tem, diante do que é sentirmo-nos perquenos, mas talvez o mais fácil de falar, embora não tenha tido uma infância particularmente fácil...mas não deixou de ser feliz...também já na altura se viviam momentos, mas eu ainda não sabia, talvez por isso não os soube digerir de forma a construir uma árvore mais forte e enraízada...
Resumindo:
4 Anos-chorava quando os meus pais saíam de casa, achava que não íam voltar mais. Geralmente ficava na janela a dizer o meu último adeus. Para contornar a situação ficava encarregue de coisas estúpidas mas que na minha mente asseguravam que eles regressassem, como ficar com a chave de casa.
A certa altura, a minha fasquia subiu...e ficar com a chave de casa já não me satisfazia muito, daí que decidi começar a preparar as refeições. Como tudo era preferível às minhas birras, a Tila (a ama) deixou-me fazer o almoço. Lembro-me como se fosse ontem, é impressionante, eu em cima de uma cadeira a colocar um peixe do aquário dos meus pais na frigideira. Foi a última vez que preparei refeições.
5 Anos-1.ªclasse, primária, colégio, freiras...humm...Na altura padecia de dois problemas muito graves quanto a mim: já sabia ler e escrever, algo que os meus pais ainda não tinham dado conta...não sei como aprendi, simplesmente já sabia...mais ler do que escrever...mas safava-me...o problema estava que ninguém da minha idade, pelo menos na minha turma o sabia fazer, então era impossível por mais que eu lesse fosse o que fosse que me pedissem numa tentativa desesperada de demonstrar que não estava a mentir, eles não podiam confirmar!!!
O segundo problema...era e fui completamente gaga até à 4.ªclasse, ou seja, demorava uma eternidade para dizer uma simples frase...a professora, ou melhor, a irmã, achava por bem mandar-me ler sempre a mim...relembrando mais parecia uma música com gargalhadas como refrão do que a leitura de um conto de fadas qualquer.
Em reunião, decidiram colocar-me na 2.ªclasse...só estava a perder tempo na primeira...lembro-me na altura do meu pequeno nariz empinado a abandonar a classe!Para passado umas semanas regressar...passava intervalos sozinha porque as brincadeiras não eram as mesmas.
De novo na 1.ªclasse...mas agora com uma postura completamente diferente, tornei-me numa criança, diria diabólica!:) Inventava histórias de terror e batia em algumas meninas...aquelas que não confirmavam serem as minhas melhores amigas nos vários interrogatórios que fazia semanalmente a cada grupo...bem...
9 Anos-4.ªclasse...da noite para o dia, literalmente, depois de consultar médicos e nada ter dado resultado, eis que acordo a falar com a maior das fluências...também não sei porquê, já que nos dois anos seguintes pouco falei...ciclo...eram raras as vezes que não ia a chorar para as aulas.
Os meninos eram maus...não entro em pormenores...e num ataque de fúria dei um estalo a um, o que eu mais temia, ele caiu, não foi pela força quero crer, deve ter escorregado. E enquanto eu me regozijava, o miudo sem eu dar conta levanta-se e sem eu dar por isso estava encostada à parede a levar o troco...oh!Chorei tanto...
Saltando 7.º, 8.º e 9.º Anos...porque aí haveria mesmo muito para falar. A brilhante aluna a matemática acha por bem seguir Economia...Passei de ano...mas não passei a matemática, como era mais do que óbvio...Felizmente ouvi as palavras do bro e resolvi andar um ano para trás...Humanidades foi a escolha.
Saltando 10.º, 11.º, 12.º Anos, demais para contar...não hesito em colocar Sociologia Coimbra como primeira opção, não sei bem o que é que eu queria provar e a quem, mas desconfio...
Um ano. Um mau ano. Um ano mau.
Mudar de curso, cidade...era urgente.
Viseu História.
Mestrado Coimbra.
Mestrado Viseu.
Indecisa?Nãoooo....

Mas o meu sonho mesmo era que naquela altura se tivesse feito luz na minha cabeçita e tivesse seguido Teatro, a minha verdadeira paixão:)

quinta-feira, 22 de maio de 2008


Não é um texto...

Não é uma afirmação...

Não é uma ironia...

Sim, é uma pergunta...

Existem acasos?


Curiosidade de uma pessoa que por sinal não é curiosa:)

É que a mim surgem-me mil respostas, complexas, cheias de ideias e de "se", e... Gostava de vos ler...
P.S.- A foto não é ao acaso :) Vou tentar não comentar...

terça-feira, 20 de maio de 2008

QUEDAS


É certo e sabido, digo, é do senso comum que todos nós vivemos num limbo, numa corda bamba ou espécie. Quem se acha seguro do amanhã, aliás do hoje, de tudo e de todos, e de especialmente dele mesmo...só me resta desejar muito boa sorte. Porque tudo é passível de mudar de um dia para o outro, minuto a minuto...vivemos e renascemos constantemente e às vezes das piores maneiras.

Sempre soube que a vida é um risco, e que todos os dias eu arrisco, arrisco-me a cair e a magoar-me a sério.

Já caí. Mas as quedas são sempre diferentes. Os ensinamentos dessas quedas igualmente...E quando pensamos que já não existe queda que nos possa magoar mais, eis que ela nos surge, nos confronta frontalmente sem dó nem piedade e exige de nós uma reacção, uma reacção rápida, de preferência que nos ampare a queda.


Desequilibrei-me e caí. Dia após dia, nesta fase de renascimento...dei-me conta que não tinha rede, nem uma simples almofada para amenizar a dor da queda desse lugar tão alto que é o amor.

Caí.

Resta levantar-me. Não sei se quero. Não sei ainda de que forma quero. Apenas sei que desisti.

Fica na memória que tenho de olhar para baixo mais vezes e ir preparando para uma eventualidade, uma cama que me conforte nestes momentos. Porque por enquanto estou apenas a conjecturar uma forma de construir uma rede. Acho que se chama a isso crescer.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

HÁ DIAS...


Há dias...
Dias assim deviam existir sempre...
Dias assim que não deviam sequer mostrar-nos a luz do sol...
Dias vazios, cheios, ocos, leves, suaves, duros, despidos, vestidos de cores, pintados com rabiscos...simplesmente são dias...
Num dia sinto-me eu...não sei se gosto, passo o dia a olhar-me por dentro, sempre com a infinita discrição que tanto me caracteriza e que eu cada vez menos a suporto. Olho e volto a olhar, vejo o que não quero, o que não queria, e aprecio silenciosamente a frustração do que gostaria de ser, acompanhada da dor de saber que jamais serei um ser diferente.
Num dia não sou eu...tento ocultar o meu eu e ser o meu oposto, o meu outro eu, que não existe e eu sei não existir, mas cobardemente sinto-o como um vento leve que me toca na cara, e agarro-o, e sorrio ao feio, ao que não gosto, ao que não quero, ao que me apetece gritar, expulsar das entranhas. Dura pouco...dura o tempo que eu quiser, que é nenhum.
Num dia sou uma desistente...quero desistir até do que não iniciei, quero dizer não quando ninguém quer ouvir um sim, quero fugir quando ninguém me quer agarrar, quero fechar-me quando não encontro uma porta para me trancar...as fechaduras estão estragadas, com ferrugem de anos e anos de vida aberta, assim como um livro que de tanto tempo ficar naquela página deixa de ser o mesmo, a marca fica, a marca ficará e para sempre...
Num dia inspecciono o passado para mudar o presente, mas esqueço-me que não tenho grande esperança no futuro e quando dou por mim luto a brincar, é uma luta "faz de conta", sei que não quero sequer ganhar...e fico paralisada como desde criança ficava.
Num dia olho ao espelho e vejo anos e anos passados, porque não é preciso sermos velhos, no sentido literal de palavra, para assim nos sentirmos. Tento perceber dentro do meu olhar o que poderia ter feito, ou fazer e até que ponto vou a tempo...é sempre tempo de morrer, mas para viver determinadas coisas há tempos.
Num dia vejo-me reflectida em montras, em espelhos de carros...e vejo uma pessoa feia, uma cara feia...uns olhos eternamente tristes, um sorriso difícil de ser algum dia um na sua plenitude. Sou feia e quero ser outra, e nas outras vejo beleza, mais do isso alegria de viver.
Tantos dias, tantos sentimentos num só dia...tantos estados de espírito...
Fica a certeza que temo ser injusta para com o meu Deus, de ser infantil para com os que me amam...de um dia olhar para o agora, e nem que esse dia seja amanhã e desejar ardentemente apagar com uma borracha todos os meus pensamentos, um a um, tudo o que invade a minha alma e que eu não falo, e que eu não grito...com medo.
Tenho medo.

terça-feira, 13 de maio de 2008

TRIBALISTAS

Se eu fechar os olhos e embalar-me nesta música, as recordações são tantas e tão doces, que só apetece sorrir, mais do que isso voltar para trás. É um desejo tão forte, tão sincero...que fico com inveja de mim mesma, de como e do quanto já fui tão feliz.

Regra geral punhamos a música para namorar:)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

SE EU NÃO TE AMASSE TANTO ASSIM...


Meu coração sem direção
Voando só por voar
Sem saber aonde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas que hoje eu descobri no seu olhar
As estrelas vão me guiar


Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas foi mais
Muito além
Do tempo de um vendaval
Dos desejos num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

(Ivete Sangalo)

domingo, 27 de abril de 2008

CIARA - LIKE A BOY

A música que vou dançar em palco!!!!Rendi-me por completo ao hip-hop!!É lindo quando conseguimos expressar fisicamente uma letra que se sente e que se harmoniza com movimentos e muiiiiiiiiiiiita sensualidade!:)

CHEIROS


Tenho tanto para escrever, para falar, para soltar...a minha necessidade de evasão acumula-se dia após dia sem que o meu corpo se mexa, se sinta, se ressinta. Apenas vou guardando memórias cada vez mais vivas na minha alma, no meu coração. Memórias, recordações, palavras, gestos e promessas...coisas das quais não me consigo desligar nem por escassos momentos, o momento de uma gargalhada é rápidamente cortado com outra gargalhada interior de uma outra coisa qualquer. Sinto-me a viver uma vida que já foi a minha, a reviver e a tentar sobreviver a um presente que pode ser lindo, pode, mas na realidade acaba por não ser, tantos são os fantasmas que o consomem, as realidades passadas que o ocupam, os sentimentos de outrora que o perpetuam.
Às vezes acordo e luto, e quero lutar, e quero olhar para a frente como se o caminho tivesse começado aqui, com o devido amor dentro do meu coração que minuto após minuto se parece alimentar de falsas ilusões, e de esperanças infundadas. Mas depois...e foi o que me levou a escrever este texto agora, neste preciso momento...um cheiro, um simples aroma consegue destronar tudo o que conquistámos ou pensámos conquistar em semanas, meses até. E aí damo-nos conta que a nossa fuga não passa disso mesmo, de uma fuga, é também um processo, mas não é um processo que nos permita ganhar forças, amadurecer e acima de tudo ultrapassar de forma o mais possível positiva e sorridente o que tantas lágrimas já nos fez derramar. Damos conta que afinal estamos na estaca zero e que a casa continua por construir, aquela pequenina casa onde vamos guardar o sentimento para todo o sempre, sabemos onde ele está e como tal escusamos de andar sempre a revivê-lo, a procurá-lo e talvez a encontrar dentro da nossa organização, momentos desarrumados, dos quais ainda não fizemos o verdadeiro luto. Aquele que nos permite viver em paz.
Começar a construção demora, custa...e não se quer, não se quer...talvez o cheiro seja mais forte do que aquilo que um dia pudemos sequer imaginar.
Olhei para o frasco, não era de perfume...e ainda pensei em ignorar o pedido feito em voz alta no meu coração, mas não consegui. Abri a tampa, olhei, deitei todo o ar fora que tinha dentro dos meus pulmões e inspirei de olhos bem cerrados...que maravilha...vozes, risos e sorrisos, palavras, dias, calor, cansaço, fome, um beijo, um banho...uma série de imagens passaram a mil mesmo diante de mim, imagens da minha vida e de cada vez que aproximava o nariz a história continuava e se não me tivesse olhado ao espelho e ter tido pena de mim mesma, teria certamente ficado ali o resto da noite.
Acho que tão depressa não me esquecerei da cara que vi reflectida no espelho, uma cara que não era a minha, uma expressão que eu já não me lembro de fazer, de ter, um sorriso, um sorriso que só consigo descrever como estúpido e que lentamente me levou a um choro silencioso, ainda que compulsivo, só de pensar no estado a que as pessoas chegam.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CAMALEÓNICA??











Vai uma votação?:) Não consigo ficar muito tempo igual, cansa-me, entedia-me...e cometo pequenas loucuras que também me satisfazem por pouco tempo, aliás como tudo na vida. Acho que o meu aspecto é o lado mais visível da minha impaciência com a vida. Como ela não muda, ou parece não querer mudar, mudo eu!!Mas só por fora...Ao olhar estas fotos, vejo uma pessoa diferente em todas elas...não, não tenho várias personalidades...estranho, mas vai-se entranhando até acordar com uma nova ideia, que entretanto não sei se é bom, ou se é mau, tenho coragem de colocar sempre em prática!Qual será o meu novo look, neste momento, nenhum dos que aqui estão... Qual virá por aí?Hummm...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

LIFE...QUERO


Quero deixar de procurar incessantemente por respostas que justifiquem a minha vida e os acontecimentos que a têm preenchido, tanto os bons, como os maus.
Quero deixar de fazer eternas retrospectivas ao meu mais intimo, ao meu passado na tentativa desenfreada de arranjar uma culpa minha, a minha falha, onde residiu o meu erro que originou danos tão grandes.
Quero entender de uma vez por todas a frase que ouço constantemente "segue com a tua vida para a frente", não só quero entendê-la como quero colocá-la em prática.
Quero deixar para trás os fantasmas que um dia me atormentaram e atormentaram quem um dia me amou e discernir que o passado é passado e nele não posso tocar, e que o presente é para ser vivido.
Quero sentir-me livre mas em paz, e não sentir a necessidade de justificar todos os meus actos, que entretanto têm sempre compreensões distintas, ambíguas e regra geral nada têm a ver com a realidade.
Quero deixar de sentir necessidade de provar quem sou, e o que sinto, e por quem.
Quero esquecer que as opiniões alheias existem, e aprender a lidar com elas com a indiferença que lhes é merecida.
Quero viver de cabeça erguida, sem medo de assumir os meus erros, mas também com a leveza de saber viver com eles, e de acima de tudo desdramatizá-los.
Quero-me sentir orgulhosa por mim e pela sinceridade que sempre tentei imprimir à minha vida independentemente das consequências da verdade.
Quero muito, mas mesmo muito parar de sofrer de uma vez por todas por tanta especulação, por não perceber o que se calhar não é para perceber e não tem justificação que se resuma a uma linha linear e clara.
Quero acreditar que a vida continua e que a felicidade pode estar à espreita ainda em qualquer outro lugar.
Quero deixar de ter pena, pena de nós, pena de mim, pena do que poderia ter sido, do que poderia estar a ser...estou cansada de pensar que tudo isto é uma pena e que só acontece por minha culpa...porque não fiz isto, porque não disse aquilo, porque não abdiquei de não sei o quê,porque não fui demasiado persistente...
Tantos "tantos", tantos porquês, tantas culpas, tantas indecisões, tantos "se", tantos "e agora?", tantos "como?"...
E eu? Onde é que eu estou? Onde é que eu fico? Serei eu uma pessoa tão miserável, que de resto é o que me ocorre mesmo, que mereça tamanha auto-culpabilização?
Serei culpada do meu fracasso, ainda que tenha sido uma bola de neve de acontecimentos que me levou a ele literalmente, a qual eu por amor não fui capaz de travar? Ou será apenas o destino e as coisas acontecem porque têm de acontecer?
Algo termina, para algo começar?
Quero salvar-me e preciso muito de mim.
Rita onde estás tu. Encontra-te. Encontro-me. E vou ficar por aí, comigo.

domingo, 13 de abril de 2008

CONTINUAÇÃO BOOK (3)


....tinha delineado, e não pretendia ser de outra forma. Estar com aquelas crianças, dar-lhes o seu melhor, o seu amor e sua alegria, que às vezes só sabe Deus onde a vamos arranjar, realizava-a enquanto pessoa, enquanto ser humano.
E naquele dia que sorria lá fora decidiu levar as crianças para o jardim, para apanharem sol, sentirem a brisa e os cheiros da natureza. Tinha preparado uma aula diferente, como sempre foram.
Sabia que a única maneira de os manter sossegados, ou pelo menos mais quietinhos era cativá-los com algo que não conhecessem, ainda que pudessem não perceber ela sabia que iriam ficar a pensar e iriam criar as suas próprias histórias, imprimir as suas fantasias a personagens que achassem caricatas…Depois de os reunir em circulo, todos sentados…
-Hoje vou-vos contar uma história! Boa! Mas aviso-vos já que não é uma história qualquer…é uma lenda! Alguém sabe o que é uma lenda? Levantem os bracinhos!
-É uma história mentira!
-É uma história que se conta às crianças para elas terem medo e para comermos tudo!
-O meu pai de cada vez que a minha mãe me obriga a comer a sopa fala-me do papão. Acho que a lenda é o papão!
-Não é nada! A lenda é pessoas velhas que contavam histórias velhas!
-Bem estou a ver que vocês andam muito informados! E mal! Então agora quero que prestem muita atenção e ficarão a perceber o significado de “lenda”! Sim? Preparados?
Vamos a isso…
Era uma vez uma pequena pastora. Certo dia enquanto andava com os seus animais a passear pelos campos descobre uma gruta e dentro dessa pequena gruta, qual não é o seu espanto quando encontra uma estátua de Nossa Senhora. Mal se aproximou dela, achou-a muito bonita e depressa a agarrou, e esta passou a ser o seu brinquedo e a sua companhia favorita.
Um dia, a mãe estava já farta de a ver brincar com o que parecia ser uma boneca que, numa discussão, agarrou-a e atirou-a para dentro da lareira. A menina ao ver isto, em pânico, correu de imediato atrás da estátua conseguindo tirá-la das chamas. Por incrível que pareça, mesmo com as chamas, a estátua ficou intacta, não estava nada queimada, nem partida, parecia que nem tinha sido atirada para uma lareira! Só podia ser milagre, e um milagre que rapidamente se espalhou por toda a aldeia, todas as pessoas falavam da estátua que tinha sobrevivido intacta às chamas do fogo, acreditavam mesmo que poderiam estar diante de um milagre e foi então que decidiram colocar a estátua da Senhora numa Igreja decente, e assim foi. Mas algo muito estranho aconteceu… A estátua pouco tempo depois desapareceu, sem ninguém perceber como e porquê. Depois de muito a procurarem encontraram-na onde?
-Foi a menina! Foi ela!
-Não, calma…ouçam…
Encontraram-na na gruta onde a pastorinha a vira inicialmente.
Depois de mais algumas tentativas, de tentarem colocar a estátua em locais mais bonitos, onde todos a pudessem ver, descobriram que a estátua parecia ser milagrosa e desaparecia sempre, aparecendo de novo na gruta. A estátua não parecia querer mudar de casa e foi aí que se lembraram de construir uma nova capela, desta vez no sítio que a estátua tanto parecia gostar.
Desde aí, a estátua não desapareceu mais e ainda hoje o penedo encontra-se intacto dentro das paredes da Igreja.
À volta desse penedo surge depois uma nova lenda, era um penedo grande mas que escondia uma passagem estreitinha, daquelas passagens em que parece que nunca cabemos, o estranho é que todos a conseguem passar por mais gordos que sejam, por mais barrigas gigantes que tenham.
Por não se entender muito bem o porquê de até os mais gordos conseguirem passar num sítio tão estreito, o povo diz que todas as pessoas de boazinhas, que fazem o bem aos outros conseguem passar, independentemente de serem gordas ou magras; só não passam os pecadores.
-Outra curiosidade, sabiam que na sacristia existe um réptil embalsamado? Conhecido como o Sardão da Lapa, algo estranho para se guardar numa Igreja. Ou não! Diz uma nova lenda que um homem, possivelmente na Índia, teve um encontro furtivo com aquele feroz animal. Em pânico, gritou pela Nossa Senhora e esta salvou-o, e como recompensa, como forma de agradecimento por a Nossa senhora o ter acudido, ele resolveu embalsamar o animal e trazê-lo até ao Santuário em Portugal, como prova do seu profundo agradecimento.
-E que tal gostaram? Ficaram a perceber o que é uma lenda?
-Sim! Sim! Conta mais!
-E era um crocodilo daqueles grandes e maus?
As questões não cessavam…Ficaram muito excitados com a história, queriam saber mais, havia aqueles mais desconfiados que remodelavam a história em três tempos de forma enigmática como se estivessem a resolver um crime…a mente das crianças voa, não tem medo de cair…Estava a ficar escuro, frio e era altura do lanche e embora ela mantivesse sempre um sorriso nos lábios e uma ternura incansável estava se ser...



Continua...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

GUILLERMO VARGAS HABACUC









Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtissima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede. Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario.
Parece forte?Pois isso nao é tudo: A prestigiosa Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que a selvageria que acabava de ser cometida por tal sujeito era arte, e deste modo tão incompreensivel Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008. Facto que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição :

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CONTINUAÇÃO BOOK (2)


Com um movimento brusco, atira-lhe o telefone e percebe-se que do outro lado ainda está alguém a falar…não sabe o que há-de fazer…
-Não posso agir por si, isso eu não posso fazer. Não posso nem quero decidir por si… Estudei psicologia, é verdade, mas isso não me dá o direito ou as capacidades para actuar como Deus, decidindo acerca de questões tão pessoais e íntimas como esta. Aliás, eu utilizei uma péssima comparação porque, no fundo, eu acho que se existisse algum Deus ele não permitiria que o mundo fosse assim.
-Deus… Acha que Deus deve ser responsabilizado pelos nossos erros? Podemos acender um fósforo e acusar Deus de não ter feito chover naquele momento exacto? Tratamo-lo sempre como se de um escravo se tratasse, alguém que existe para satisfazer os nossos desejos a troco de uma oração memorizada ou de uma vela acesa.
Depois de uma ligeira pausa, voltou a baixar o tom de voz.
-Não divaguemos mais. Vá falar com os seus sogros, é o meu conselho, não adie o inadiável, vai ver que se sentirá melhor e pense na Madalena, mais do que nunca precisa dos avós.
A Sara está nervosa, está a decidir com a cabeça quente. Além disso, eu sou a pessoa menos indicada para fazer isso.
-Não estou em condições para conduzir, não vê!
-Se decidir ir, eu própria a levo.
Apesar de resistente, acedeu ao pedido, ela apenas estava a evitar sofrer mais, chorar mais, mas o sofrimento era inevitável, e mais valia sofrê-lo agora. Chegaram. Depois das apresentações reuniram-se na sala, a psicóloga achou por bem ir brincar com a Madalena, quando o pai diz:
-Chegou hoje um envelope endereçado a nós, mas é para ti…não sabemos o que é, mas não nos pareceu correcto sermos nós a abri-lo, de qualquer das formas parece óbvio que ele queria que o abrisses connosco…
Ela concorda, fica hesitante, com muito medo de ler o que quer que fosse vindo dele…

O envelope começa, finalmente, a ser aberto. Lá dentro estava uma folha rasgada, ainda mais maltratada que o envelope, e preenchida com uma série de traços e riscos que só a muito custo podiam ser identificados com letras. Respirando fundo uma última vez…
-Começa assim:


“Sara e Madalena, neste momento apenas me resta pedir perdão. Não fui capaz de vos salvar, pelo que este era o único caminho a seguir.
Espero que não encarem o meu acto como um mero suicídio irreflectido, mas antes como um acto de libertação e expurgação. Espero também que ele não suscite quaisquer sentimentos de culpa pois, a existirem, esses são da inteira responsabilidade do destino. Estamos em 1996 e o destino já é o culpado.”

-Podem-me explicar que data é esta?
-Isto não pode ser para mim! Que brincadeira de mau gosto é esta?
-Continua a ler…só assim vamos perceber…
-Mas não percebem que só o conheci em 2005?
-Mais uma razão para leres…
-O que me estão a esconder?
-Lê, por favor…


18 de Novembro de 2005
O dia estava como há muito não aparecia, o sol apesar de fraco, brilhava no céu, e as nuvens negras que até aqui assombravam a cidade estavam cinzentas, quase que prometiam desaparecer. As crianças naquele dia estavam particularmente irrequietas, devia ser do sol, há tanto escondido, ela própria estava a ser invadida por uma sensação de alegria e vivacidade únicas…o tempo sombrio faz-nos inevitavelmente mais tristes…e aquelas crianças precisavam de felicidade, de alegria, de momentos de sorrisos e gargalhadas soltas, como todas as crianças precisam. Precisam de amor, não esperavam dela uma mãe, que dá ordens, que discute, que às vezes não tem paciência, que chega a casa cansada do trabalho, que a única coisa que anseia é esticar-se na cama e não ouvir um único som, apenas o do silêncio, aquele que não obteve desde o momento em que acordou. Não esperavam isso dela, esperavam precisamente o oposto, esperavam alguém que ali estivesse a tempo inteiro, alguém sem vida própria a não ser aquela, disposta a espalhar cor e alegria em tudo o que faz, em cada criança que toca, alguém que sabe passar a mão na cabeça, perdoar as travessuras e ter paciência infinita para aqueles pequenos diabretes. E era isso que ela era, não era apenas uma mulher, não era somente uma educadora de infância, ela era mãe, irmã, amiga, avó…todas aquelas pessoas imprescindíveis ao nosso crescimento, à nossa maturação, que assistem aos percalços das nossas vidas não de braços cruzados mas com uma voz activa sempre disposta a salvar-nos, a dar-nos a mão, mesmo que sejamos os mais culpados deste mundo. Era ela. Era essa a vida dela, já há muito a...


Continua...
Nota: Eu sei que a imagem nada tem a ver com o texto, mas eu não consigo não colocar imagem, é mais forte do que eu!!!:) Parece que o texto fica despido e feio e então coloco minhas, assim nada tem a ver com nada!! Porque também não gosto de colocar uma imagem que não tenha a ver com o texto havendo! Ora, se não há, e se eu não consigo deixar de colocar foto, ponho uma minha. Fiz-me entender? Creio que estou com alguns pequenos grandes problemas de expressão, o que me assusta solenemente e creio também que estou a justificar o que não interessa a ninguém saber, o que também não me parece normal, mas...

domingo, 6 de abril de 2008

BOOK (1)


28 de Março 2007

-Preciso de ajuda! Por favor, preciso de ajuda…
-Mantenha-se calma. A ambulância já vai a caminho.
-Mas ele… Ele não se mexe nem respira. Eu acho que ele não está a respirar… Ele precisa de ajuda, rápido! Rápido!
-Tenha calma, por favor. Não vou conseguir ajudá-la se não se mantiver controlada. Tente explicar-me melhor o que aconteceu, tente…
-Eu não sei! Ele está… Não sei, ele está deitado! Ele está deitado e… e… Venham rápido, por favor, eu não sei o que fazer. Oh, meu Deus…
-A ambulância deve estar mesmo a chegar. Confirme-me novamente a morada, por favor.
-Oh meu Deus, ele não está mesmo a respirar… Oh, meu Deus… O que é que eu faço? Ajudem-me, tem de me ajudar, rápido…
-Está? Está?
-(silêncio)
-Está? Por favor, não desligue o telefone! Fale comigo! Através do pulso consegue sentir os batimentos cardíacos?
-Venham rápido! Eu… Eu não percebo. Porquê? Porquê?
-O que se passa? Aconteceu mais alguma coisa? Não deixe de comunicar comigo! Está? Ainda aí está?
As horas seguintes foram de uma lentidão atordoante. Os ponteiros do relógio mantinham-se inflexíveis, na sua rotação incessante, mas tudo o resto parecia mover-se de uma forma extremamente morosa. As sirenes, as paredes brancas do hospital, o desolador regresso a casa.
Tal como acontece no cinema, as imagens não pedem permissão para se sobrepor uma a seguir à outra, mesmo que estejamos a odiar o argumento ou nos apetece mudar completamente a história. Essa história, para o bem e para o mal, está escrita e delineada, e já ninguém a conseguirá mudar. E o facto de fecharmos os olhos de pouco servirá. Os olhos fecham mas as imagens continuarão, ficando o som encarregue de nos lembrar desse pormenor.
É nestas alturas da vida que o mundo parece mais simples e, ao mesmo tempo, nada parece fazer sentido. É provavelmente o único momento em que todos deixam cair a máscara, os trajes e a ambição. Frio e desolado como um pedregulho, o coração deixa de ter utilidade a não ser bombear o sangue, e mesmo para essa tarefa, o esforço agora requerido é quase sobre-humano.
Depois de bater duas vezes à porta, esta é finalmente aberta por um fantasma.
-Olá, eu sou psicóloga do departamento médico do Hospital S. Teotónio (da PSP). Desde já, gostaria de apresentar os meus sentidos pêsames. (silêncio) Embora isso nem sempre aconteça, neste tipo de situações gostamos de visitar os familiares mais próximos, dando, tanto quanto possível, o nosso apoio e compreensão. É verdade que nem sempre somos acolhidos com a maior receptividade mas… Como está a reagir, Sara?
A pergunta não suscitou qualquer reacção.
-Posso entrar?
Os seus olhos, embora continuassem vazios, levantam-se ligeiramente.
-Claro. Desculpe o meu estado.
-Obrigado. Eu sei o que está a passar e certamente não é nada fácil. Aliás, o caminho que agora vai ter de percorrer é penoso, longo e doloroso, mas nem por isso devemos baixar os braços e desistir. Não tenho razão? Ainda para mais eu sei que tem uma menina linda, que nasceu há pouco tempo.
-É verdade.
-Como está ela?
-Como posso saber? Só tem dois meses, provavelmente nem deu conta de nada.
-Posso vê-la?
- Ela está a dormir lá em cima.
-Acontece, por vezes, que desviamos a atenção daquilo que nos é mais importante. E isso é compreensível, tendo em conta o nível de stress e fadiga psicológico pelo qual as pessoas passam. Tem algum familiar que possa ficar consigo estes dias?
-Não.
-E acharia benéfico ter algum acompanhamento ou alguma ajuda para tomar conta do bebé?
-O quê? Nunca precisei nem vou precisar de ajuda. Está a insinuar que não sou capaz de cuidar da Madalena? Mas estarão todos doidos?
-Desculpe, se calhar expressei-me mal…
-Não tentem retirar o pouco que me resta!
-Ninguém insinuou isso e, por favor, tente compreender o meu papel. Estou aqui apenas para tentar ajudar, nada mais. E, por mais insuficiente que isso possa parecer, boa parte da ajuda que tenho para oferecer resume-se a um ombro amigo, um pouco de conversa pelo qual pode desabafar e eu vou percebendo quais são os maiores problemas. Milagres, ninguém os fará, mas conversando um pouco talvez consigamos trazer alguma paz.
-Quer ajudar-me? Quer trazer-me alguma paz? Diga aos meus sogros que quero ficar sozinha, e que agora não vou lá a casa...
Continua...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

THE NICEST THING

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.
I wish I was your favourite girl,
I wish you thought
I was the reason you are in the world.
I wish I was your favourite smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.
I wish you couldn't figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you'd hold my hand when I was upset,
I wish you'd never forget the look on my face when we first met.
I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three.
I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.
All i know is that you're the nicest thing I've ever seen;
I wish that we could see if we could be something
Kate Nash

terça-feira, 1 de abril de 2008

PORTO




Duas cidades tão próximas, duas realidades tão diferentes. Porto, uma cidade com alma e espírito gigantes, que alimenta vivamente todas aquelas pessoas tão diferentes, tão iguais que deambulam frenéticamente pelas ruas da cidade, imprimindo um dinamismo e uma cor que altera as tonalidades acinzentadas que contornam cada recanto de cada esquina que viramos.
Em cada esquina encontra-se uma cor, uma alma, um sorriso e uma voz alta e firme. Gente com garra e sangue nas guelrras, que não tem sangue de barata, e que bate o pé com aquela melodia linda sem olhar a quem.
Os olhares não se trocam, confrontam-se e dispersam-se com a mesma intensidade com que se encontraram.
As gargalhadas altas não ecoam, são tão somente absorvidas por outras gargalhadas e por pessoas que tentam vender o seu "peixe" em pequenas ruelas com tralhas e tralhinhas absolutamente deliciosas, com quem se troca uma palavra e eventualmente uma conversa para uma tarde inteira.
Uma cidade que nos preenche, que nos acolhe e que nos ama como realmente somos, onde o gorro não é sinónimo de doença ou toxicodependência, óculos gigantes não são sinónimo de alguém que tenta esconder as olheiras que a noite passada provocaram, que sapatilhas não são sinónimo de desleixe mas sim de conforto e estilo próprio, em que usar pirecings não é sinónimo de irresponsabilidade, e em que um meter de conversa não é um sinónimo de um convite a algo mais.
Também no Porto tudo isto deve existir...mas a minha experiência, esta experiência foi absolutamente sorridente, pela serenidade que me imprimiu, pela certeza, confirmação de que existem pessoas que correm pela vida e na vida pelos seus sonhos sem olharem a impossibilidades, sorrisos que escondem desgraças que pelo menos por instantes são relegadas para segundo plano, porque a vida é para ser vivida com as forças que temos, com a dignidade que temos, com toda a alegria que temos. Porque a felicidade, essa está nos pequenos pormenores, naqueles que nem nos apercebemos, mas se no final do dia, o espremermos são essas coisas que ficam no pensamento.
Venha mais PORTO CARAGO!!!

sábado, 22 de março de 2008

O QUE É ISTO??












Sinceramente custa-me a crer que alguém possa encontrar beleza nestes adornos e acessórios que mais parecem máscaras assustadoras de quem não se consegue ver ao espelho tal e qual como é. Questiono-me vezes sem conta de onde vem a necessidade de ser diferente, e só a uma conclusão chego, são simplesmente pessoas que não conseguem ficar satisfeitas com a normalidade, a sua e a dos outros.
Cada vez mais se tenta chocar...chamar a atenção, sentir-se comentado e até criticado, não importa, passar despercebido é que é impensável. Não será isto fruto de uma enorme carência afectiva, de um grande desiquilibrio emocional, de uma falta de auto-estima e amor-próprio atroz, de uma despersonalização...
Eu sei que ninguém gosta de medicamentos, de admitir que precisa de acompanhamento psiquiátrico... mas... Chamem-me conservadora, mas isto ultrapassa todos os limites estéticos possíveis e imaginários.

sexta-feira, 21 de março de 2008

AFINAL HÁ TANTAS DIRECÇÕES


Houve uma vez uma pessoa que, ao ver-me de olhos inertes a olhar o horizonte, me disse que quando se começa a prever uma tempestade mais vale abrigarmo-nos até que esta passasse. Pois lutar contra a tempestade, seria uma luta inglória.
Guardar as forças para lutas em que a possibilidade de ganhar se avista, é mais louvável. Lutar contra o mais forte, o inevitável, não era dignidade mas sim burrice.
É tão verdade quanto difícil de colocar em prática. A atitude é a de sobrevivência, mas a minha sobrevivência pode passar eventualmente apenas pelo vislumbre de vários destinos possíveis, e então quando o céu estiver menos cinzento seguir um rumo.
Afinal há tantas direcções!

A CIDADE DOS ANJOS


Andava a ver imagens, não procurava nenhuma em especial...encontrei esta...e parei, parei e revi o filme mentalmente minuto a minuto. E cheguei a uma conclusão, a óbvia do filme, mas vi para além desse óbvio, para além de um romance, para além de um amor impossível. Simplesmente vi...
Vi que na vida há momentos de desencontro total, pleno entre duas pessoas, entre o amor. Momentos que estranhamos pelas diferentes necessidades que de um momento para o outro nos surgem e achamos não poder conciliar com o amor. O amor é tão mais do que uma fase, é tão mais do que uma necessidade.
No amor e na vida, o que mais me entristece são os momentos em que mesmo que quisessemos alterar não tinhamos nada a fazer, não dependem de nós. Há realmente coisas que não estão nas nossas mãos, que não dependem de nós, eventualmente podemos ajudar, contribuir...não são imprevistos, os imprevistos são bastante previsíveis, por vezes nós é que não os queremos ver...são simplesmente mundos diferentes, paralelos que não têm como se colar, como se fundir.
Ele largou tudo por um amor, mudou a sua condição de vida e tudo o que a ela lhe estava inerente, ele lutou.
Foram felizes, estavam felizes.
Ela morreu, adoptou a condição de vida dele.
Ambos quiseram certamente voltar atrás no tempo, mas voltar atrás no tempo é impossível.
Ela quis morrer?
A decisão dele foi fácil?
Foi por falta de amor que se separaram?
O amor é tudo? É.
O destino é mais do que tudo? Definitivamente.

domingo, 16 de março de 2008

O NOSSO CONTO DE FADAS


Há muito, muito tempo, existia um reino mágico, repleto de castelos e de casas pequeninas; de campos verdes e florestas sombrias; de príncipes encantados e terríveis vilões... No final desse reino erguia-se um enorme precipício. Contavam-se muitas histórias assustadoras acerca desse precipício, e nem mesmo os dragões se atreviam a aproximar. Só um pequeno menino costumava lá ir, sentando-se numa daquelas rochas frias e ficando a observar o horizonte.
Certo dia, o menino decide levantar-se e dar um passeio. O céu estava muito escuro e a chuva não parava de cair, mas havia algo que o obrigava a continuar, o obrigava a percorrer um caminho até então desconhecido. Ele andou horas a fio, ora caíndo nas poças de água, ora fugindo delas...até que, de repente, algo despertou a sua atenção, um brilho intenso saía por entre as silvas! Num misto de espanto e de medo, ele foi-se aproximando com todo o cuidado, até perceber finalmente o que era: uma pequena caixinha, ainda fechada, e contendo as iniciais do rei. O que faria aquilo ali? - pensou ele.
Será que era um pedaço de lixo que o rei tinha simplesmente deitado fora? Ou talvez ele a tivesse perdido sem querer?!?
Não resistindo mais à tentação, pôs de lado todas as interrogações e decidiu abrir a caixa. O que viu deixou-o perplexo: a mais linda borboleta alguma vez vista, tão colorida como qualquer arco-íris.
Nesse mesmo instante, e como que por magia, o sol irrompeu por entre as nuvens, de tal forma que nem a chuva se atreveu mais a cair.
Desde aquele momento, tudo mudou na sua vida.
O menino passava horas e horas somente a observar a borboleta. Dedicava-lhe toda a sua atenção, sonhava com ela, contava-lhe os seus segredos... Tudo parecia perfeito, lindo, e mesmo quando tinha algum problema, bastava olhar para o sorriso da borboleta para que tudo melhorasse.
Aos poucos, porém, ele começou a compreender que não era justo da sua parte manter a borboleta fechada naquela caixa durante mais tempo. É verdade que a borboleta parecia estar tão feliz quanto ele, mas será que era mesmo assim? Ou será que voava para bem longe, quem sabe até se não mesmo para junto do rei novamente?
Foi então que o menino chegou a uma conclusão: a única coisa realmente importante era a felicidade da borboleta. Se ela fosse feliz, ele também seria feliz. E se essa felicidade implicasse perdê-la para sempre, então assim fosse.
Num gesto decidido, olhou uma vez mais para o sorriso da borboleta, e abriu a caixa...


Foste tu que escreveste, foi de ti para mim, e agora é de mim para
ti...